Certa vez, o educador Paulo Freire escreveu: “Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. A escola não transforma a realidade, mas pode ajudar a formar os sujeitos capazes de fazer a transformação, da sociedade, do mundo e de si mesmos”. É isso que a direção e professores, no bairro Tatuquara em Curitiba, estão fazendo com as crianças de uma das regiões de maior vulnerabilidade social da cidade com a implantação de um programa rádio na Escola Municipal Margarida Orso Dalagassa.

A diretora da instituição de ensino, Maria Cecília Santos Araújo Colatusso, conta que o projeto da rádio escola existe há dois anos e foi a porta para uma transformação. “O sucesso desse projeto, que é a Rádio D e que já está sendo desenvolvido há dois anos, possibilita que todo esse trabalho maior que é a escola possa ser mais divulgado e fortalecido”, defendeu Colatusso.

Nesta quarta-feira (11), alunos da escola participaram de uma feira onde mostraram à comunidade os projetos que estão desenvolvendo. E lá estavam os repórteres da Rádio D para fazer toda a cobertura do evento.

Para a aluna Gabriela Azevedo, essa é uma oportunidade ímpar. “Essa experiência foi muito legal, única na minha vida e me marcou muito”, disse ela. Outra aluna, Nicole da Silva Rodrigues, disse nunca ter imaginado falar em uma rádio. “Eu gosto muito de falar, mas nunca pensei que iria estar em uma rádio. Depois dessa experiência, comecei a pensar que isso pode ser uma coisa para a minha vida”, comentou Rodrigues.

Suzana Rubin, uma das professoras responsáveis pelo programa, explica que a rádio vai ao ar uma vez por semana: “uma vez por semana a gente tem um programa de rádio, onde passam as notícias do nosso bairro e de dentro da escola. A transmissão pode ser ouvida por toda escola e comunidade”.

A Izabele era uma das repórteres de plantão na feira. “A gente está fazendo entrevistas com alguns alunos e adultos também, para que eles nos expliquem alguma coisa que não sabemos e para que a gente explique algo que eles não sabem”, relatou a repórter-mirim.

Outra pequena repórter, Ana Julia Pontes, sonha em ser jornalista e jogadora de futebol. “Eu queria ser jornalista e jogadora de futebol, porque eu gosto bastante de jogar futebol e de fazer entrevistas”, revelou.

E com projetos de meditação, capoeira e rádio, apenas para citar alguns, nessa escola estudar se tornou um prazer e deu início a um processo transformador, como defendia Paulo Freire ser o papel da educação.