(Fotos: Antônio Nascimento – Banda B)

 

Alunos, pais e professores se reuniram, na manhã desta quarta-feira (27) em frente à Escola para Surdos Epheta, no bairro Água Verde, em Curitiba. Eles protestam contra o fechamento da instituição, que deve acontecer em dezembro, devido à falta de recursos que a crise provocou nos últimos anos.

Criada em 1950, a escola é mantida pela Associação Educação Familiar e Social do Paraná, que disponibiliza o aporte financeiro e a estrutura, enquanto os governos municipal e estadual fornecem os professores. O diferencial da instituição está em um método criado pelos educadores que possibilita aos alunos surdos que possuem implante coclear aprenderem a se comunicar por meio da Língua Portuguesa – e não apenas por Libras.

Segundo a professora Bernadete Fornazari, que atuou na Epheta por 14 anos, fechar as portas significa perder todo o conteúdo desenvolvido ao longo de mais de seis décadas. “Eu trabalhava com as crianças e adolescentes na parte de oralização e alfabetização. Essa é a única escola do Brasil que lida com a Língua Portuguesa na modalidade oral. O coração está muito apertado com essa notícia. Nós não vamos nos calar, não admitimos isso”, desabafou ela em entrevista à Banda B.

Hoje, a Epheta atende 110 estudantes no contraturno, que realizaram a cirurgia para a colocação de implante. Para o otorrinolaringologista Rogério Hamerschmidt, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as escolas regulares não conseguem dar total apoio para essas crianças, fato que torna ainda mais grave o fechamento da instituição.

“O implante coclear já é realizado no Brasil pelo Sistema Único de Saúde [SUS] há alguns anos. Essa conquista não adianta sem que os pacientes tenham uma reabilitação adequada, tanto antes quanto depois da cirurgia. A Epheta tem todos os profissionais qualificados, que entendem de surdez, e ensinam os estudantes a ouvirem e a falarem. Eu vejo com muita tristeza o fechamento da escola”, disse o médico.

A jovem Nataliane Fozi, de 19 anos, estuda na Epheta desde que tinha um ano. Foi na instituição que ela aprendeu a falar, mesmo surda. A aluna ficou desesperada com a notícia de que a escola vai deixar de funcionar. “É um lugar muito bom… Não pode fechar não, não pode fechar de jeito nenhum”, afirmou.

Durante o protesto, um grupo de pais declarou que vai tentar criar uma associação para assumir a escola após o fechamento.

Mantenedora

Segundo Andréia de Oliveira, representante da entidade que mantém a Epheta, a decisão é irreversível. “Há muito tempo a mantenedora veio com esse assunto, devido à questão financeira. Com a crise, nós informamos há um ano que a instituição só funcionaria até dezembro de 2017. Nós não temos mais o que fazer, apenas repassamos a informação para os órgãos públicos, que devem decidir qual a melhor forma de atender esses alunos”, explicou.

Procurada pela Banda B, a Secretaria da Educação do Paraná afirmou que todas as crianças estão matriculadas em escolas regulares do estado e que continuarão a ser atendidas de acordo com a sua necessidade.