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A declaração de um professor de direito, em sala de aula, causou polêmica em Curitiba. Nas imagens, o docente do Centro de Estudos Jurídicos Luiz Carlos diz que “mulher gosta de apanhar”, o que ocasionou uma grande reação de repudio nas redes sociais. O professor que aparece no vídeo é Victor Augusto Leão, que é formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e atualmente também é professor das Faculdades Guarapuava.

No vídeo, publicado pela página PartidA Curitiba PR, é possível ver o momento em que o professor fala sobre o assunto em sala de aula: “Mulherada se acha né? Essa lei Maria da Penha aí, mulherada se acha. Gosta de apanhar ou não? Levar uns murros na boca de vez em quando? Uma joelhada, não gosta? Quebrar umas costelas, não gosta? Mulher gosta de apanhar. Mulher gosta de levar porrada, não é verdade? Ela não gosta quando incha a boca, incha o olho, borra a maquiagem, tô brincando, tô brincando. Vamos falar agora de penalidades. Vai vir a Lei João da Lapa e revogar a Lei Maria da Penha e nós vamos voltar a descer bordoada na mulherada, tá? Porque lá em casa é assim, nesse esquema”, diz.

Assista ao vídeo clicando aqui.

Em nota, o curso Luiz Carlos disse que repudia e não compactua com qualquer tipo de incitação à violência contra as mulheres – ou qualquer outro tipo de discriminação, ligada a que gênero for. “É lamentável saber que o vídeo, de menos de 60 segundos, viralizou por causa de uma colocação do professor, que consideramos, sim, inoportuna. Tanto que, como já dissemos, não houve qualquer reclamação no curso pelos alunos daquela aula e, ao final da atividade, o professor saiu aplaudido, como está explicito na íntegra do vídeo. Como se trata de uma aula gravada, que pode ser assistida por outros alunos do curso, será editada para supressão do trecho mencionado, já que acreditamos que o objetivo do professor não foi, conforme reiteramos, ofender ninguém”, informa a nota.

Segundo o curso, a aula foi ministrada no dia 2 de setembro.

“Foram brincadeiras”

Também em nota, o professor lamentou a viralização, disse que era um momento de descontração e que não foi um discurso malignamente ofensivo às mulheres e sim brincadeiras.

Confira a nota na íntegra:

O trecho do vídeo apresentado está fora do contexto de todo vídeo da aula, pois, se acaso analisado desde seu início, observar-se-ia um contexto de total descontração. Em vários momentos do trecho do vídeo divulgado frisei que estava apenas brincando, já prevendo que pessoas maldosas ou com outros desígnios deturpassem meus comentários com finalidades das mais diversas.

Era uma aula de revisão de véspera para o concurso do TRE/PR, com milhares de inscritos, e pretendi apenas descontrair o nervosismo dos alunos com brincadeiras enquanto ministrava conteúdo importante de revisão na aula.

O pequeno trecho do vídeo não retratou essas passagens, o que seria suficiente para se concluir em sentido completamente contrário ao que está exposto nos comentários nas redes sociais. Ao final, inclusive, repassei uma mensagem de Deus para acalmar os referidos alunos e tentar arrefecer seus nervos.

Portanto, aferir-se qualquer conclusão assistindo a apenas um trecho do vídeo significa partir de uma premissa equivocada. É necessário assistir a todo o vídeo da aula para, a partir de uma premissa completa, concluir-se que não houve menosprezo à mulher. Houve, sim, conteúdo jurídico com descontrações.

É inaceitável e lamentável que pessoas postem comentários que denigram minha imagem nas redes sociais como se minhas brincadeiras naquela aula fossem um discurso de pregação a favor da violência doméstica e familiar contra a mulher.

Não foi um discurso malignamente ofensivo às mulheres. Foram brincadeiras (expressamente destacadas), como tantos humoristas realizam. Não se pretendeu (como de fato não se fez), estimular a violência doméstica e familiar contra a mulher.

As pessoas que me conhecem sabem muito bem do respeito, amor e entrega que tenho por minha esposa e filhas, resultando em respeito e empatia para com outras pessoas.

Para se restringir apenas à sala de aula, isso é facilmente verificável com meus alunos e ex-alunos, os quais, inclusive, igualmente podem certificar meu estilo descontraído de ministrar aulas há mais de 12 anos e, também, que estimulo o respeito e a consideração às pessoas. Aliás, minhas avaliações institucionais realizadas pelos alunos comprovam cravadamente esses fatores.

É inaceitável e lamentável que pessoas postem comentários denegrindo minha imagem nas redes sociais sem conhecer o teor integral do vídeo da malfadada aula ou mesmo sem se certificar sobre quem estão falando.

Há que se considerar que não houve dolo, má-fé ou discriminação alguma contra as mulheres. O que ocorre é que houve uma divulgação de parte de um vídeo que não condiz com a realidade da aula e muito menos com meu caráter.

Não se pode perder de vista: foi um contexto pitoresco que algumas pessoas estão deturpando para disseminar seus ódios para os violentadores de mulheres, projetando tais figuras na minha pessoa.

Com efeito, repudia-se e não se compactua com qualquer espécie de violência. Existem homens que se prevalecem de violência contra a mulher. Isso é abominável!!! MAS EU NÃO SOU ASSIM.

Agora, enquadrar uma brincadeira em sala de aula nesse contexto violentador e proferir as mais variadas ofensas difamatórias é ser uma pessoa desproporcional, desarrazoada e desmotivadamente violentadora de uma didática aplicada em sala aula de cursinho e altamente ofensiva a um professor.

Isto é: não se pode, a pretexto da execrável violência contra a mulher, alçar uma brincadeira ao patamar de odioso discurso contra alguém que, em sua autonomia didática, brincou com um assunto polêmico.

Não se pode confundir brincadeira no contexto como ocorreu com discurso pregador de violência contra a mulher.

A diferença entre brincadeira e ofensa é nítida, mesmo para quem assistiu apenas parte pinçada do vídeo: basta se aperceber do destaque: “estou brincando, estou brincando”.

Não se pode chegar ao extremo de se proibir manifestações em tom de brincadeira ao argumento de ser discriminação, preconceito, ódio etc.

Há que se expandir a visão: não foi discurso de discriminação contra a mulher. Foi uma brincadeira cabível em determinado contexto. Pensar o contrário seria tolher qualquer iniciativa de deixar uma aula de revisão de véspera de concurso público menos enfadonha e improdutiva.

Perceba que no descontextualizado vídeo não há qualquer menção a fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo. Há tão somente uma brincadeira.

A despeito dessas observações, assume-se que foi uma brincadeira no âmbito daquilo que se considera politicamente incorreto e não ofensivamente incorreto.

Nada obstante tudo isso, finalizo com meu total e pleno repúdio e não compactuação a qualquer ato de violência contra quem quer que seja, especialmente, no caso, à mulher, assim como estou plenamente convicto de que não pratiquei ilícito algum.

Por fim, caso alguma pessoa tenha se sentido ofendida, destaco minhas sinceras desculpas. Não foi esse o objetivo.

Prof. Victor Augusto Leão