A indústria do Paraná cresceu 5,2% em junho. O resultado é positivo, porém, bem mais modesto que os 24,1% registrados em maio. O estado ficou abaixo da média nacional, que foi de 8,9%, e também, dos vizinhos Santa Catarina (9,1%) e Rio Grande do Sul (12,6%). Na avaliação de janeiro a junho, o Paraná ainda acumula perdas, -8,6%, porém, já em melhores condições que a média do Brasil, que está em -10,9%. Santa Catarina tem -15% e, Rio Grande do Sul, -15,8%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11/8), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foto: FIEP

“Gradualmente, devido à diversidade da indústria paranaense, nossa produção industrial vai se levantando da forte queda registrada em março e abril, no início da pandemia. Porém, ainda temos um árduo caminho a percorrer para voltar aos níveis pré-crise e registrar um crescimento efetivo”, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Carlos Valter Martins Pedro. “Para isso, seguem sendo fundamentais medidas imediatas que deem fôlego às empresas, como o acesso ao crédito, e reformas estruturantes, como a Tributária, que representem ganhos de competitividade para a indústria brasileira em longo prazo”, completa.

No ano, as quedas mais acentuadas dos setores automotivo (-40,5%) e de bens de capital (máquinas e equipamentos, de -31,3%), uns dos mais importantes do estado, impactaram para um resultado mais modesto do Paraná este mês e, também, para a queda no ano. Mas já há uma mudança importante na avaliação do semestre. “Até maio, a queda na produção industrial do Paraná era de -8,9%. Agora estamos com -8,6%. A trajetória de queda da curva se inverteu, o que sinaliza que pode estar havendo uma recuperação do setor, ainda que lenta”, explica o economista da Fiep, Evânio Felippe.

Em junho, a produção industrial do Paraná obteve o sétimo melhor resultado do país. Bem abaixo do mês anterior, em que esteve na liderança nacional. Na avaliação do primeiro semestre a posição é a mesma. “Esperava-se um resultado melhor este mês. Mas, pelos segmentos automotivo e de máquinas e equipamentos terem um peso importante na atividade industrial do estado, o impacto foi grande. Da recuperação deles ainda depende uma melhora no cenário econômico daqui para frente para que o consumidor retome sua confiança e isso se reverta em aumento de vendas desses produtos”, analisa o economista.

Outro dado importante que ajuda a avaliar o impacto da pandemia na indústria são os comparativos com os mesmos períodos de 2019. O Paraná registra retração de 8,6% no primeiro semestre quando comparado com o igual intervalo do ano passado. E em relação a junho de 2019, a queda é de 6,8%. Os números mostram que o setor industrial ainda sofre o impacto da crise e que até o fim do ano não é possível saber como o setor deve se comportar. “No início de julho tivemos um decreto do Governo Estadual que restringiu a atuação de algumas atividades. Embora a maioria das indústrias não tenha sido atingida diretamente, se os setores de serviços e comércio deixam de operar, a indústria também é afetada. E isso poderá ser verificado nos próximos meses”, conclui.

Em 2020, os segmentos que mais influenciaram no crescimento da indústria neste primeiro semestre foram petróleo, com alta acumulada de 8,6%; alimentos (6,3%); papel e celulose (5,4%); e fabricação de produtos de metal (1,9%). As maiores baixas, além de automotivo (-40,5%) e de máquinas e equipamentos (-31,3%) são madeira (-18,2%) e bebidas (-7,8%).