A diretora da pasta de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom -PR), Silvana Silva Mendes de Souza, afirmou em entrevista à Banda B, na noite desta quarta-feira (21), acreditar que a privatização dos Correios representa para os trabalhadores da estatal uma demissão em massa. O governo federal anunciou um pacote com nove empresas públicas que pretende vender para a iniciativa privada, entre elas está a companhia de correspondências.

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“O sindicato sempre trabalhou para orientar os trabalhadores sobre os riscos da privatização e que ela representa para nós uma demissão em massa dos 99 mil funcionários dos Correios hoje no Brasil. Alguns acham que só vamos trocar de patrão, mas seremos sumariamente demitidos”, disse Silvana.

Segundo ela, a maior parte dos trabalhadores dos Correios tem mais de 40 anos e não possui ensino superior, o que acarretaria em dificuldades para se recolocarem no mercado de trabalho. “A maior parte dos trabalhadores dos Correios está acima dos 40 anos, uma boa parte não tem formação em terceiro grau e muitos estão com a sua saúde debilitada em alguns pontos. É importante lembrar também que muito deles são os únicos provedores de suas famílias”, argumentou a diretora da pasta de comunicação do Sintcom-PR.

Preços

Silvana defende também que com a privatização os preços do envio e entrega de correspondências irão aumentar, já que as empresas privadas não terão interesse em manter a tabela de preços seguida pelos Correios atualmente, que determina um limite de valor para o serviço continuar acessível a toda a população.

Papel social

O papel social de uma das mais antigas empresas brasileiras, que atende municípios mesmo sem um retorno lucrativo, também é outro ponto ressaltado pela sindicalista. “Dentro dos cerca de 5 mil municípios do Brasil, apenas em torno de 300 são rentáveis e dão lucro para o governo em suas operações de correspondência. Os correios cumprem um papel social, que nenhuma outra empresa concorrente quer cumprir. Só os Correios vão onde ninguém quer ir, mas onde apenas nós levamos os remédios, os livros, as encomendas que necessitam às vezes essas cidadezinhas esquecidas” contou ela.

Abaixo-assinado

Funcionários da estatal em todo o país, há cerca de um mês, segundo Silvana, já estariam se mobilizando para recolher assinaturas para um abaixo-assinado contra a privatização da empresa e que deverá ser entregue aos parlamentares com o objetivo de impedir que os planos do governo federal se concretizem.