Com objetivo de fazer com que as pessoas entendam o lugar umas das outras, a Prefeitura de Curitiba lançou em 2019 um programa que visa a inclusão no trânsito. Focado principalmente nas pessoas com deficiência, a ideia é mostrar a necessidade da busca pela empatia e respeito ao próximo. Com o programa, várias atividades são realizadas na capital paranaense, com a intenção de mostrar as dificuldades enfrentadas pelos diferentes tipos de pessoas que se utilizam do trânsito.

Agentes de trânsito são capacitados para incluir a todos no trânsito (Foto: SMCS)

 

Claudionor Agibert é diretor da Escola Pública de Trânsito e conta que o programa ‘Trânsito para Todos’ é uma inovação nacional, mas que já tem rendido bons frutos. “Com o apoio das instituições de apoio a pessoas com deficiência, a gente tem ido até pontos da cidade para mostrar os desafios enfrentados pelo outro. Por exemplo, na Rua XV de Novembro, a gente questionou várias pessoas sobre como fazer a abordagem a um deficiente visual no momento de atravessar a rua e tivemos um retorno bastante bonito, já que os próprios cegos mostraram como fazer”, relata.

Coordenadas pela Escola Pública de Trânsito, as atividades do ‘Trânsito para Todos’ são divididas em cinco vertentes: para pessoas com deficiência física, pessoas com deficiência intelectual (incluindo o Transtornos do Espectro Autista), cegos, surdos e pessoas sem deficiência.

O diretor do Instituto Paranaense de Cegos, Ênio Rodrigues da Rosa, lembra que buscar alternativas de inclusão no trânsito são sempre necessárias. “A gente percebe que o planejamento do trânsito acaba sempre sendo pensado para o veículo, mas ações educativas assim são importantes, uma vez que buscam a sensibilização em determinadas situações. Em todas as cidades, a gente encontra motoristas educados e sensíveis, mas também encontramos pessoas que parecem não aprender e continuam reproduzindo uma ideia competitiva”, lamenta.

Rosa destaca que os efeitos positivos da parceria. “Não tenho dúvida que o programa é necessário e que deve continuar sendo feito. É importante que medidas mais enérgicas sejam tomadas para aqueles que parecem não ouvir o que está sendo dito”, comenta.

Na Minha Pele

Conversa com motoristas é um dos principais pontos do programa (Foto: SMCS)

Entre as atividades desenvolvidas no ‘Trânsito para Todos’, um chama bastante a atenção. O ‘Na Minha Pele’ é aquele que justamente faz com que as pessoas abordadas sintam a dificuldade do outro em meio ao trânsito.

No projeto, a deficiência visual é simulada por uma venda nos olhos. Nele, o motorista passa a ter a consciência de como o trânsito acontece no entorno, com o sentimento de alguém que não pode enxergar. Outra modalidade é fazer com que o motorista sinta como é atravessar a rua sentado em uma cadeira de rodas.

Para Agibert, a atividade desenvolve algo que é fundamental na convivência no trânsito: a empatia. “Assim, o motorista passa a entender que deve esperar o tempo necessário para que esse pedestre atravesse a rua, porque aposto que se fosse o contrário, também gostaria de ser tratado assim”, conclui.

Capacitação

Para a realização do projeto, uma parceria foi firmada entre a Prefeitura de Curitiba e instituições voltadas para esses públicos, como Instituto Paranaense de Cegos (IPC) e Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Agentes de trânsito foram capacitados para que possam ajudar de forma correta as pessoas com deficiência, além de apurar informações para o repasse mais eficiente das informações.

O programa promete continuar em 2020, visando um trânsito cada vez melhor.

Campanha

* A reportagem faz parte da campanha ‘Na Direção Certa’ Banda B, com apoio da Prefeitura de Curitiba. Na Rádio Banda B, está sendo exibida uma série de dicas para tornar o trânsito melhor e mais seguro.