Policiais civis se reuniram nesta quarta-feira (Divulgação)

Reunidas ao longo da semana, as entidades que representam os policiais civis e militares do Paraná declararam apoio à greve dos servidores estaduais, que está marcada para começar no próximo dia 25 de junho. Impedidos constitucionalmente de aderirem ao movimento de paralisação, os policiais afirmam que também sofrem com a defasagem salarial de 17% e não descartam participar de outras formas dos atos. Nesta quarta-feira (19), 11 entidades que representam policiais civis e peritos criminais se reuniram em Curitiba. Eles aprovaram uma série de medidas para reivindicar o reajuste de 4,94% na inflação dos últimos 12 meses.

De acordo com o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Paraná (Adepol), Daniel Fagundes, as categorias estão inconformadas com o tratamento que tem recebido até aqui. “Falando em especial dos trabalhadores da segurança pública, estamos exercendo nossa função em condições precárias, com viaturas paradas por falta de conserto e governador sequer ficar cara a cara conosco. Até o momento, nenhuma entidade sindical foi ouvida por ele e precisamos mostrar que é necessário valorizar o servidor”, explicou.

No encontro desta quarta, os policiais civis decidiram que não farão trabalhos que fujam de sua competência. “Vamos trabalhar apenas 40 horas semanais, sem fazer várias horas a mais para compensar a falta de recursos humanos. Também iremos adotar todas as medidas de segurança, para fazer as diligências. Entre elas, parar de fazer com que apenas um policial faça escolta para três, quatro presos, na audiência de custódia. Agora, apenas com dois policiais por preso, senão não vamos fazer. Vamos parar de fazer favor para um governo que não está nos valorizando”, afirmou.

“Não podemos ser omissos”

Presidente da Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Paraná (Assofepar), o coronel Izaías de Farias diz que os policiais não podem mais ser omissos com as próprias famílias. “Nós hoje temos um problema de sustentabilidade das nossas famílias. São dois meses a menos de salário e não estamos pleiteando aumento e sim uma condição mínima de existência. Óbvio que estamos todos preocupados em não comprometer o atendimento a sociedade, mas não podemos esquecer das nossas famílias. Não é regalia e sim o simples cumprimento da lei”, garantiu.

Greve

No último sábado (15), os professores e funcionários da rede estadual de ensino decidiram aderir à greve unificada. Servidores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) também aprovaram a greve.

O Fórum das Entidades Sindicais (FES) afirma que até o momento nenhuma proposta foi feita.

Outro lado

Em nota, o Governo do Paraná informou que diálogo é único caminho para o entendimento. Confira na íntegra:

Por isso, o Governo do Paraná reafirma a intenção de manter o debate pleno com os servidores estaduais para que sejam encontradas, de maneira conjunta, soluções para as questões que envolvem aumento da despesa com a folha de pagamento do funcionalismo.

Na última sexta-feira (14), um grupo de dirigentes do Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES) foi recebido no Palácio Iguaçu e apresentou relatório da entidade a respeito das contas públicas. Ficou ajustado que os dados serão avaliados e as negociações permaneciam abertas, de forma que possam ser encontrados pontos de consenso e interesse comum.

Isso está mantido. A equipe do governo está trabalhando com o objetivo de encontrar um caminho de equilíbrio, que não coloque em risco as contas públicas, e não acredita que qualquer medida extrema seja o caminho a ser seguido por parte das lideranças sindicais.