O policial militar que sacou uma arma, atirou e matou um cachorro em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, na última segunda-feira (22) deve depor sobre o caso nesta quarta-feira (24). A Banda B ouviu o morador que aparece nas imagens abrindo o portão da casa onde o cão, apelidado como Pipoco, sai e em seguida é baleado. Ele relatou que o neto, de apenas dois anos, chama o cachorro pelo nome e fala o tempo todo sobre sangue.

Na entrevista, o homem que aparece nas imagens discutindo com o PM descreveu a situação que culminou na morte do animal. O policial teria ido tirar satisfações, porque Pipoco o mordeu há alguns dias. Nas imagens, é possível ver que o autor dos disparos mostra a perna mordida e discutecom o dono do imóvel.

“O cachorro não é meu, é de todos da rua, porque cuidamos dele. O PM perguntou o porquê de ele estar na minha casa e eu respondi que ele e outro cachorro entram pela grade do portão, eles são de rua e vão na casa de todos os vizinhos”, descreveu.

Foto: Reprodução

A testemunha ainda relatou que ao abrir o portão, Pipoco foi para cima do rapaz já que o mesmo tinha tentado intimidar o animal em outra ocasião. “Quando ele saiu e foi em direção ao policial, ele deu um chute no cachorro, não conseguiu acertar e atirou contra o cão”, disse sobre como aconteceu o caso. “Primeiro ele matou o cachorro para depois falar quem ele era”, acrescentou.

O dono da casa também afirmou que no momento em que a confusão aconteceu, o neto de dois anos, a esposa, a sogra, portadora de necessidades especiais e vizinhos se assustaram com o som do disparo. “Ele poderia ter errado o alvo dele e ter disparado contra nós”, lamentou. E relembrou que a esposa saiu gritando porque achou que os tiros teriam sido contra o próprio marido.

Motivação

O dono do imóvel disse ainda que o cão, segundo relatos do PM, teria o mordido enquanto corria pela via e que foi esse o motivo de ele ter ido tirar satisfações sobre o animal. “Foi algo muito superficial, apenas rasgou a calça dele e ele não quis nem ir ao posto de saúde”, afirmou.

Após o ocorrido, o homem, que aparece do lado de dentro do portão, relatou estar bastante abalado e que não tem conseguido dormir, nem comer por conta do que aconteceu.

“Meu neto, de apenas dois anos, fala do Pipoco e em seguida fala de sangue. Ele brincava muito com o cachorro, que era muito dócil. Todos os moradores da rua gostavam do animal. E ele matou o cachorro e simplesmente saiu andando”.

Investigação

De acordo com a testemunha, o policial foi intimado e deverá depor na próxima quarta-feira (24). Para ele, a Justiça deve servir para todos e que ele, por ser policial militar, não deve sair impune do caso: “Preferia que tivesse atirado em mim do que no cachorro”, disse.

A Banda B entrou em contrato com a polícia e recebeu a resposta de que “o 13º Batalhão de Polícia Militar abriu um procedimento interno para apurar a conduta do policial militar”.

O caso também está sendo investigado pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e o delegado Matheus Laiola afirma que o PM deve responder pelo crime de maus tratos.