A pandemia trouxe consequências pesadas para a economia nacional, no entanto, alguns serviços seguem na contramão do processo de recessão. Empresários dos setores de serviços de telemensagens e serenatas têm muito a comemorar, já que essa foi a maneira que muitas pessoas encontraram para manter as demonstrações de carinho e amor em tempos de isolamento e distanciamento social.

 

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Carros com luzes, sons potentes, fogos de artifícios e declarações de carinho e amor por estes serviços eram atos comuns na década de 90. Mas, como um túnel do tempo, Curitiba passou a reviver demonstrações que saíram de moda. Segundo Marcelo Daros, da empresa Abala Corações Mensagens Ao vivo, a procura dobrou. “A quantidade de mensagens que antes nós fazíamos por semana, vamos supor, 60 mensagem por semana, agora está na parte de 120 a 130 por semana”, comentou à Banda B.

Daros explica que a maior parte das mensagens são destinadas a pessoas de idade. Por pertencerem ao grupo de risco do novo coronavírus, o isolamento dificultou o contato entre as famílias. “Justamente porque as famílias não podem fazer festas para eles. Não podem abraçar, tem que ter o distanciamento social”, afirmou.

Serenatas

No Brasil, a origem das serenatas foi em 1717, mas elas já aparecem na história e nos livros desde 1505. Em Curitiba, segundo Anna Karolina Moreira, do Grupo de Serenata Curitiba, o atendimento era feito em eventos. Agora, a realidade mudou completamente e a procura está em alta.

“No dia das mães, a gente recebeu uma cotação para uma serenata. Aí, eu falei ‘puxa vida, isto mesmo’. Liguei para toda a minha cartela de clientes, dos eventos. Hoje, eu tenho feito, pelo menos, 10 serenatas por semana. Nos dias dos namorados, a gente fez umas 12 serenatas”, destacou.

Envolvimento coletivo

Nem tudo agradava a todos com as telemensagens e as serenatas. Segundo Daros, o que antes as pessoas reclamavam do som alto e o barulho provocado pelas apresentações, hoje é uma realidade diferente. “A gente vê que os vizinhos estão participando. Eles também estão se sentindo presos. As pessoas que nem se conheciam e estão participando ali”, detalhou.

O raciocínio é compartilhado e complementado por Anna. Para a empresária, a emoção é sentida em cada apresentação e o lado musical tem apenas um objetivo. “Nesta pandemia o que nós temos feito é levar abraço e amor através das nossas notas musicais”, concluiu.