(Fotos: Flávia Barros – Banda B)

 

Os dias passam e a realidade nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba parece continuar a mesma, segundo os usuários. No posto do bairro Boa Vista, a tarde desta quinta-feira (24) foi marcada pela sala de espera lotada e demora de mais de cinco horas para o atendimento.

Esse era o caso do jardineiro Olivino Dias, que chegou na UPA às 11h e, até às 17h, ainda não havia entrado para a consulta. “A triagem foi rápida, feita em 10 minutos, mas depois disso não me chamaram mais. Agora eu estou esperando. Passei mal e, como tenho problemas cardíacos, decidi vir até aqui para conseguir remédio. Eu não almocei nem nada, porque fiquei com medo de sair e perder a vez. Mas olha que tem gente que está aqui desde as 10h”, disse ele em entrevista à Banda B.

A manicure Maria Aparecida Silva passou pela mesma situação. Ela relatou que teve sintomas de um ataque cardíaco, como dor no peito e no braço esquerdo, e foi levada de ambulância até a UPA. “Eu fiz exame e eles viram que eu estava com problemas. Mesmo assim, ainda não fui atendida e estou aqui faz tempo. Se fosse para eu infartar, infartaria aqui e morreria, sem nenhuma ajuda. A gente só paga, paga e ninguém faz nada”, completou.

Os funcionários da saúde de Curitiba entraram em greve há mais de um mês, mas garantindo 100% de funcionamento para os casos de urgência e emergência nas unidades e hospitais. O movimento tem como principal objetivo protestar contra a falta de negociação por parte da Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde (FEAES), responsável pela contratação dos profissionais. Os trabalhadores alegam que ficaram sem reajuste salarial.

Outro lado

Em nota, a prefeitura de Curitiba informou que houve uma queda no sistema da UPA, o que prejudicou os atendimentos. Leia na íntegra:

A Secretaria Municipal da Saúde esclarece que houve uma queda no sistema da UPA Boa Vista, hoje, entre 15h e 18 horas. Com isso, os protocolos dos pacientes, neste período, precisaram ser feitos manualmente. Com isso, o tempo de espera para pacientes de baixo risco, sem urgência e emergência, chegou a 4 horas. O sistema já foi reestabelecido e o atendimento está sendo normalizado.