Um médico da Unidade de Pronto-Atendimento do Sítio Cercado, em Curitiba, foi agredido por um paciente com suspeita de Covid-19 nesta quarta-feira (8). De acordo com o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar), o paciente teria se revoltado com a informação de que seria transferido para o Hospital Evangélico, momento em que teria retirado o acesso do braço e cuspido contra os demais integrantes da equipe da UPA.

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A secretária-geral do Simepar, Claudia Paola Carrasco de Lara, lamentou o ocorrido. “Foi um absurdo o que aconteceu. O paciente estava na UPA e se revoltou com a comunicação da transferência, ficou descontrolado. Além de agredir o médico fisicamente, ele cuspiu sangue contra o profissional e cuspiu contra os demais integrantes da equipe”, disse.

Segundo as primeiras informações, o paciente teria sido algemado e levado compulsoriamente ao hospital.

Falta de EPIs

Diante do caso, porém, Claudia Paola Carrasco de Lara questionou os equipamentos utilizados pelos profissionais de saúde do estado. Para ela, médicos e enfermeiros estão muito expostos. “A gente vê em outros países, médicos com equipamentos que parecem roupas de astronauta, mas aqui eles só usam uma máscara cirúrgica perto de pacientes de risco. É um risco muito grande expor profissionais dessa maneira. São profissionais que estão se expondo à doença. Alguém da linha da frente não pode ficar sem equipamento adequado”, concluiu.

O Simepar afirma que já pediu respostas a prefeituras de todo o Paraná sobre as condições de trabalho dos profissionais. Caso não haja resposta, o Ministério Público do Paraná e o Ministério Público do Trabalho (MPT) estão sendo notificados.

A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba, que informou por nota que Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas) já demonstraram ao Ministério Público do Trabalho (MPT) que seguem todas as normas do Ministério da Saúde para uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), fato comprovado por laudos de inspeção dos Conselhos Regionais de Medicina (CRM-PR) e de Enfermagem (Coren-PR). Confira a nota completa:

A SMS e a Feas reforçam: não há proibição do uso de EPIs para os colaboradores. Pelo contrário: a fundação vai além das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está fornecendo os equipamentos mesmo em situações em que não seriam necessários, segundo o Ministério da Saúde. Por fim, a SMS e a Feas repudiam a agressão ao médico, se solidarizam com a vítima e lamentam a tentativa da entidade que representa os médicos de relacionar a violência à suposta falta de EPIs.

Trata-se de fato ocorrido durante o atendimento a um paciente – um homem de 40 anos com histórico de transtorno mental – que deu entrada na UPA Sítio Cercado na manhã desta quarta-feira (8/4), com sintomas respiratórios, entre eles, dificuldade para respirar, e que recusou a indicação de internamento.