A lotação em ônibus e terminais na região metropolitana de Curitiba tem preocupado os passageiros do transporte coletivo da rede integrada, por conta do risco de disseminação do novo coronavírus. São relatos diários que chegam a Banda B de moradores que demonstram medo e pedem por melhores condições. De acordo com a Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba), os ônibus estão com o efetivo normal no horário de pico, mas são avaliadas mudanças diárias quando se percebe uma superlotação.

Filas em terminais e ônibus lotados (Fotos: Ouvintes Banda B)

 

Eurico Nunes Ramos é morador de Colombo. Ele relatou uma situação complicada ao utilizar os ônibus da cidade na manhã desta quinta-feira (14). “No terminal tinha quase 90 pessoas para embarcar e muitas não respeitando o distanciamento social. Dentro do ônibus estava entupido. Aí fica difícil o controle do vírus”, disse. Já Josiane Costa, moradora de Fazenda Rio Grande, embarcou de manhã no ônibus Fazenda/Pinheirinho, que também estava lotado. Além disso, ela criticou o fato de alguns passageiros sequer usarem máscaras. “Tem muita gente que não pensa no outro e está lá, aglomerado, e sem usar a máscara. Com os ônibus cheios, estamos todos em risco”, opinou.

Comec

Sobre as reclamações dos passageiros, a Banda B conversou com o presidente da Comec, Gilson Santos, que confirmou diversas demandas chegando ao órgão. “Isso é algo constante na realidade do transporte coletivo, que todo dia sofre uma mudança. No início da pandemia, houve uma queda dos usuários e consequente redução na frota, mas as semanas foram evoluindo e hoje a frota já está em 70% no horário de pico, dentro da demanda do número de usuários, já que há cidades em que o uso do ônibus chega a 60% no horário de pico em relação ao que era praticado antes da pandemia”, garantiu, relatando ainda  que e média o número de pessoas utilizando o ônibus é de 40% em comparação aos números antes do coronavírus.

De acordo com Gilson Santos, o transporte coletivo tem um aumento grande no horário de pico e, por isso, fica impossível um distanciamento social recomendado pela Organização Mundial de Saúde. “Isso não tem como acontecer em nenhum lugar, pela demanda de pessoas que usam os ônibus. O desafio é justamente dar o melhor atendimento possível neste horário de pico e, por isso, estamos reforçando dia a dia as linhas em que se vê a necessidade”, explicou.

O presidente da Comec também falou que em determinados momentos o próprio passageiro pode evitar a aglomeração, esperando por outro ônibus que está para chegar. “Nesta quarta fizemos o acompanhamento da linha que sai da Praça Santos Andrade e vai até Piraquara. Ontem, às 17h40, saiu um articulado com 90 pessoas e, dez minutos depois, saiu outro que tinha só 20 passageiros, mas é óbvio que a gente entende a questão da pressa de chegar logo em casa”, disse.

Sobre a questão do uso de máscaras, Gilson Santos confirmou que há casos de pessoas entrando nos ônibus sem a proteção “Isso nos causa preocupação, mas não podemos obrigar motoristas e cobradores a controlarem isso. Então, a partir desta semana teremos a presença de policiais militares nos terminais e também estamos buscando o Exército, para uma ação de conscientização sobre o uso de máscara”, concluiu.