O radialista Lorival Kaiut, de 75 anos, já não pode usar o instrumento mais importante que lhe fez narrar grandes conquistas dos clubes paranaenses: a voz. Após ser diagnosticado com câncer na garganta no início do ano, a vida de Kaiut, que está sobre uma cama, mudou radicalmente e certa dificuldades têm preocupado a família, que criou uma vaquinha online para arrecadar fundos.

Foto: Arquivo Pessoal

 

Dono de uma voz eloquente, Lorival Kaiut participou de pelo menos quatro Copas do Mundo, a primeira teria em 1990. No começo deste ano, o radialista começou a sentir um incômodo na região da garganta e até pensou que fosse por causa de uma espinha de peixe. Porém, a suspeita foi descartada com o passar de poucos dias. “Em março, alguns nódulos já começaram a aparecer do lado de fora da garganta. Ficou enorme”, contou a esposa de Lorival, Gleidenize Rodrigues, de 56 anos.

Depois do corpo dar sinais de que algo estaria errado, o profissional decidiu ir ao médico. Lá, uma biópsia foi pedida, mas um novo problema surgiu e o exame foi cancelado: a pandemia do novo coronavírus. “Ele já nem comia. Sequer água passava pela garganta”, disse a esposa.

No dia 8 de abril, por volta das 16h, ele começou a sentir muito mal e pediu para que um amigo o levasse a uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA). Por conta de sua debilitada condição, logo foi encaminhado ao Hospital Evangélico, onde ficou internado.

Foto: Arquivo Pessoal

Dois dias depois, na Sexta-feira Santa (10/4), Rodrigues foi ao hospital e o médico pediu que a família pagasse a biópsia para que pudessem ter um diagnóstico o mais rápido possível. Ainda no feriado, a esposa foi a um laboratório. O exame demorou 25 dias para ficar pronto.

“Peguei o resultado e levei para a médica do [Hospital] Evangélico. Ela já chamou uma equipe para dar início ao tratamento contra o linfoma. Quando ele começou o tratamento já não respirava direito, usava traqueostomia e uma sonda nasal”, explicou Gleidenize, em entrevista à Banda B.

Na última quinta-feira (8), se completaram seis meses que o radialista faz o uso de uma sonda para se alimentar. “É um esforço imenso cuidar dele, porque ele já não tem mais forças”.

“Estou gastando o que não tenho. Nos primeiros 15 dias de internamento a médica me chamou e perguntou se eu estava ciente de que ele não sairia vivo do hospital. Eu respondi que só Deus é quem sabe o que é melhor. No final das contas, veio para casa; já fez 6 sessões de quimioterapia.”

“Ele quer falar, mas não consegue!”

A voz de Lorival já não está mais ali para fazer o que mais gostava: falar. O seu importante instrumento de trabalho e a sua companhia mais fiel foi se despedindo aos poucos sem “dizer” que jamais voltaria. Foi no hospital que sentiu o “adeus” das cordas vocais, e teve de arranjar um novo método para se comunicar.

Foto: Arquivo Pessoal

“Ele perdeu totalmente a voz no hospital e teve de começar a escrever para se comunicar. Da semana para cá, ele ficou super debilitado. Quer falar, mas não consegue”, afirmou a esposa.

Vaquinha online

Gabriele Kaiut, de apenas 16 anos, foi quem decidiu criar uma vaquinha para arrecadar fundos e ajudar no tratamento do pai, e poder lhe oferecer melhores condições.

A cama em que Lorival está é alugada, um aspirador de traqueostomia foi conseguido pela família após a condição do radialista se tornar pública, e a dieta alimentar é cara. “Estamos passando por condições financeiras bem difíceis. É muito caro pagar o aluguel da cama e a alimentação dele”, afirmou Gleidenize.

Por fim, a esposa do grande radialista esportivo que marcou a história do esporte paranaense faz um apelo: “Quem puder fazer uma doação, por mínima que seja, já ajuda. Só quem passou por isso sabe”.

Para ajudar a família Kaiut através de doações na vaquinha online, clique aqui.