O prefeito Rafael Greca criticou os empresários de ônibus de Curitiba, em entrevista concedida à CNN Brasil na manhã desta quinta-feira (9). Para ele, o transporte coletivo das cidades não pode parar, mas o momento não é de “ganhar dinheiro”. O posicionamento de Greca se dá três dias após motoristas e cobradores de seis empresas reclamarem do pagamento parcial dos salários do mês.

Foto: SMCS

Segundo Greca, um repasse foi feito para as empresas e os salários deveriam ser pagos normalmente. “Ontem fiquei furioso com os empresários de ônibus que pagaram só uma parte dos salários. Eu paguei R$ 51 milhões na véspera e eles disseram que não tinham R$ 26 milhões para pagar aos seus motoristas. Mandei dizer que parem com isso, que não como sejam mercenários que atacam comboios da Cruz Vermelha, que estão levando remédio para seus pais, sua mães, seus avós, seus filhos e pros filhos dos seus filhos. Não é hora de ganhar dinheiro, é hora de exercer a humanidade, de colocar o coração nas mãos e oferecer ao próximo”, disse.

Atualmente, segundo Greca confirmou na entrevista, os ônibus de Curitiba estão circulando com 230 mil lugares para uma quantidade próxima diária de 190 mil passageiros. Em dias normais, a capital paranaense circula com um número próximo de um milhão.

Diante das críticas, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) informou que a operação do transporte coletivo custa, por mês, R$ 77 milhões. Mais da metade desse valor se refere ao pagamento de Pessoal. “O restante cobre custos como combustível, financiamentos, peças, impostos, etc. No mês de março, devido à queda de passageiros da ordem de 75%, a arrecadação do sistema foi de R$ 51 milhões. Ou seja, faltaram R$ 26 milhões para cobrir os custos do sistema”, afirma. (Confira a nota completa abaixo)

Emoção

Ao longo da entrevista concedida à CNN Brasil, Greca chegou a se emocionar e chorou ao falar do coronavírus. Segundo ele, o momento não é de politizar a doença. “Tinham nos dito que o pico da doença seria ontem e queira Deus que tenha sido mesmo. Mas não sabemos como a curva irá se comportar. Ela vinha crescendo 10 pontos por dia, subiu para 20 e ontem tivemos 28 pontos de acréscimo. Meu coração se aperta e estamos em oração, pedindo a Deus que poupe a cidade. É muito triste um prefeito desligar uma cidade, que é tão querida para mim e tão importante para o Brasil. Temos que ser resilientes, fortes e entender que tudo vai passar. Precisamos desligar qualquer uso político e não podemos ter partido da cloroquina e o partido da anti-cloroquina, temos que deixar os médicos agirem”, disse.

Greca ainda elogiou a postura do Governo Federal com as prefeituras, em especial o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “O Mandetta é um sujeito excepcional e até pela nossa descendência curitibana, minha sintonia com ele vai até o coração. Mas outros ministros tem tido uma sintonia muito positiva”, concluiu.

Nota

Confira a nota completa do Setransp enviado à Banda B:

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) informa que a operação do transporte coletivo custa, por mês, R$ 77 milhões. Mais da metade desse valor se refere ao pagamento de Pessoal. O restante cobre custos como combustível, financiamentos, peças, impostos, etc.

No mês de março, devido à queda de passageiros da ordem de 75%, a arrecadação do sistema foi de R$ 51 milhões. Ou seja, faltaram R$ 26 milhões para cobrir os custos do sistema. É por isso que, embora tenham feito todos os esforços, metade das empresas de ônibus de Curitiba não conseguiu honrar com 100% do salário de seus colaboradores no dia do pagamento. Mas o valor faltante será pago este mês. Cabe notar que os benefícios foram pagos na sua integralidade e que, somando o adiantamento e o salário, já foram pagos 70% do total, faltando apenas 30% para essas empresas.

Importante salientar que a queda de passageiros começou no dia 16 de março e só houve redução na operação do transporte coletivo no dia 25 de março. Portanto, as empresas rodaram praticamente todo o mês com 100% do custo e com uma receita bem abaixo, o que causou esse desequilíbrio financeiro.

As empresas reforçam o pedido para que os poderes públicos criem um plano de socorro ao setor, a fim de garantir a operação do transporte coletivo e a manutenção dos empregos. O transporte coletivo é um serviço essencial, que mantém outras atividades essenciais em funcionamento. O Setransp espera a compreensão do atual momento pelas autoridades.