Paciente símbolo do combate contra o coronavírus em Curitiba, o médico Jamal Munir Bark falou nesta quarta-feira (29) sobre os quase dois meses de internamento que enfrentou. Em live transmitida pela Secretaria Municipal da Saúde, ele falou sobre as dificuldades do tratamento e fez um apelo para que os protocolos sanitários sejam seguidos por toda a população.

Foto: SMCS

Plantonista da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Boqueirão, Jamal lembrou que apenas 5% da população acaba acometida pela forma mais grave da doença, mas é justamente a essas pessoas que ele pediu atenção. “É uma doença muito grave e eu não desejo para ninguém o quadro grave, porque eu sofri na própria pele. A vida é uma linha bem tênue entre a morte e o viver e eu fiquei exatamente no meio dela. Com a graça de Deus, oração e dedicação da equipe de saúde, fiquei desse lado, mas quase passei”, disse.

Jamal foi internado no dia 19 de março e permaneceu no Hospital Marcelino Champagnat até o dia 8 de maio. Por 40 dias, ele permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Sobre os dias posteriores da alta, o médico da Prefeitura de Curitiba falou principalmente sobre a perda de olfato e paladar, mas agradeceu por não ter sofrido nenhuma sequela. “Nos primeiros eu não sabia diferenciar água e café, um bom bife ou uma folha de isopor. Felizmente fui melhorando depois da fisioterapia e saí praticamente sem nenhuma sequela. Estou louco para trabalhar”, comentou.

Sobre o trabalho, a Prefeitura de Curitiba também já se posicionou. Ele retorna na próxima semana e vai atuar no Complexo Regulador da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas), que define o tipo de assistência em leitos e ambulâncias. Recuperado, Jamal não representa risco de contágio às outras pessoas e vai trabalhar com todos os equipamentos de proteção, conforme a praxe médica de atendimento.

Apelo

Por fim, Jamal ainda fez um apelo para a população curitibana. “Eu deixo uma mensagem de esperança, mas lembro que não podemos relaxar dos cuidados. Em qualquer tosse, coriza, dor de garganta, febre: procure o médico. Não desistam, porque vamos vencer essa pandemia”, concluiu.