Sem trabalhar há cinco meses, músicos de diversos estilos fizeram um ato em frente à Prefeitura de Curitiba, no final da manhã desta terça-feira (1º). Juntos, eles reivindicaram um acordo com a Secretaria da Saúde para possibilitar o retorno aos palcos. Em nota enviada à Banda B (veja abaixo), porém, a administração municipal afirmou que irá manter a proibição porque a “oferta desse tipo de entretenimento estimula o consumo de bebidas alcoólicas e a interação social”.

 

 

O ato pacífico teve inicio por volta das 11 horas. Entre as manifestações, os músicos cantaram o hino nacional, leram uma carta aberta com as reivindicações e tentaram conversar com algum representante da prefeitura. Ainda, como forma de atrair a atenção das pessoas, eles promoveram um “abraço simbólico”, respeitando as normas de segurança, como uso de máscara e distanciamento social.

“O objetivo da nossa manifestação é que a gente se reúna com a prefeitura e, em conjunto com ela, nós possamos elaborar um novo protocolo de boas práticas. Um protocolo com segurança para que os músicos retornem ao trabalho”, afirmou o músico e vocalista do grupo Contradição, Waldir Rangel, à Banda B.

Ainda, de acordo com Rangel, o pedido vai justamente porque vários setores comerciais e categorias de profissionais já foram liberados para trabalhar em meio à pandemia. Mas principalmente, segundo o líder, as famílias dos músicos e artistas de Curitiba estão passando por sérias dificuldades financeiras devido ao extenso período que estão sem trabalhar. “Todos também voltaram diante de um protocolo. Então, é isto que nós queremos. Um protocolo que seja liberado”, pontuou.

Preconceito?

Ao questionar a não liberação do trabalho dos músicos por parte da prefeitura, o sambista Carlão afirmou que existe um preconceito, há muitos anos, com um setor que é responsável por movimentar boa parte da economia curitibana. “Isto é uma discriminação mesmo. Estão barrando e, o pior, mentindo para os músicos. Toda a economia movimenta por meio da música. Há músicos que também são advogados e eles já perceberam que o protocolo de abertura dos bares possibilita que exista música. Então, não tem porque não ter”, criticou.

O sambista ainda denunciou que não legalização do trabalho incentiva as práticas criminosas e ilegais. E isto, na visão de Carlão, vai contra o objetivo direto da manifestação: o trabalho legal.

“Os bares estão lotados! Portanto, está ocorrendo o pior, porque a partir do momento que o nosso trabalho não está organizado e legalizado, está dando espaço para que as pessoas façam por debaixo do pano. Aí, nem a prefeitura e secretaria de saúde conseguem conter. Está todo mundo trabalhando. Mas, não é isto que o músico quer. O músico quer trabalhar decentemente, pelo menos, nós que estamos aqui hoje”, concluiu à Banda B.

Reuniões

Nas últimas semanas, os músicos estabeleceram reuniões com a Prefeitura e entregaram uma sugestão de protocolo com medidas de segurança. Porém, na última sexta-feira (28), receberam a negativa por parte da Secretaria Municipal de Saúde. Por parte do município, foi observado que o documento não estava em consonância com a Resolução Municipal 001/20.

Prefeitura

Em nota enviada à Banda B, a Prefeitura de Curitiba informou que mantém no Decreto 1080/2020 a proibição de música ao vivo nos estabelecimentos. “É uma medida que visa diminuir o tempo de permanência das pessoas nos locais, considerando que a oferta desse tipo de entretenimento estimula o consumo de bebidas alcoólicas e a interação social”, diz o documento.

A Prefeitura citou o pedido feito na Justiça pela liberação de música ao vivo Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar). “O Juiz Jailton Juan Carlos Trontini indeferiu o pedido de liminar. Na mesma ação a Abrabar pedia que os bares pudessem operar com 50% da capacidade e a reabertura do sistema de self service. Todas as demandas foram negadas”, complementou.

Auxílio

Ainda na nota, a Prefeitura de Curitiba ressaltou que, por meio da Fundação Cultural de Curitiba e do Instituto Curitiba de Arte e Cultura – ICAC, há dois editais no valor de R$ 300 mil voltados para ajudar os profissionais que foram publicados nesta segunda-feira (31). “Os editais são destinados para o segmento da música popular e devem atender músicos com trajetórias de apresentações boêmias em estabelecimentos tradicionais da cidade”, pontuou à Prefeitura.

O primeiro edital, no valor de R$ 100 mil, será para grupos (duplas, trios, quartetos, quintetos ou sextetos) e prevê a gravação de peças musicais por meio do ICAC. “As inscrições para este edital do ICAC (nº 007/2020) estarão abertas das 18h do dia 1º de setembro às 12h do dia 11 de setembro de 2020. As propostas deverão ser apresentadas no formulário digital disponível neste endereço“, informou.

Já o segundo edital, no valor de R$ 200 mil, será destinado a músicos e grupos que deverão fornecer conteúdo previamente gravado. “As inscrições para este edital da FCC (027/2020) estarão abertas das 18h do dia 16 de setembro até às 12h do dia 21 de setembro, e deverão ser feitas pelo Sisprofice. O edital com todas as informações está disponível neste endereço“, completou a Prefeitura.

Vídeos

O repórter Djalma Malaquias foi até o protesto e fez algumas imagens. Confira.