(Foto: Divulgação SMCS)

 

Bibliotecas abertas para toda a comunidade e que vão muito além dos livros. Um espaço onde é possível criar projetos usando desde os materiais mais simples, como cola e papelão, até tecnologia de ponta, como as impressoras 3D – e tudo isso sem custo algum. São os já conhecidos Faróis do Saber de Curitiba, que estão sendo transformados em oficinas de inovação e criatividade.

A proposta, desenvolvida pela prefeitura da cidade, começou a ser implementada em outubro de 2017 e vai se expandir para todas as regionais até o fim deste ano. O principal objetivo é viabilizar em Curitiba a disseminação da ‘cultura maker’ – que tem como princípio a crença de que qualquer pessoa pode consertar, modificar e produzir objetos com as mãos.

Thaís Eastwood Vaine, em entrevista à Banda B

“Na prática, esses Faróis funcionam como um estúdio de criação, com oficinas de criatividade, em que os participantes desenvolvem projetos sobre os mais diversos assuntos, aprimorando certas habilidades. Nesses espaços, eles podem, por exemplo, trabalhar com modelagem 3D, criar protótipos e motorizá-los”, explicou Thaís Eastwood Vaine, da Coordenadoria de Tecnologia Digitais e Inovação da Secretaria Municipal da Educação.

Quem preferir deixar um pouco de lado as tecnologias de ponta tem a possibilidade de usar materiais de baixo custo para as invenções, além de computadores para pesquisa e prática da linguagem de programação.

“O nosso projeto é baseado na aprendizagem criativa na prática, com os quatro ‘Ps’: Paixão, Projeto, Parceria e Pensar brincando. Aqui nós trazemos também o quinto P, que é o Propósito, ou seja, dar significado para as criações. Isso porque, por mais que elas partam de interesses individuais, o trabalho também é coletivo”, completou a coordenadora.

Segundo ela, os Faróis do Saber e Inovação são pioneiros na rede pública de ensino, mas não atendem apenas estudantes. “Nós brincamos que o projeto vai dos seis aos 100 anos de idade, mas já recebemos até crianças mais novas, dos CMEIs [Centros Municipais de Educação Infantil]”.

No caso dos CMEIs, todas as atividades realizadas estão atreladas aos conteúdos pedagógicos ensinados em sala de aula, auxiliando na aprendizagem e desenvolvendo habilidades, de uma forma dinâmica e motivadora.

Boa recepção

Desde que foi implantado nas unidades do Cajuru, Pilarzinho, Uberaba e Portão, o projeto foi muito bem recebido pela comunidade. Para o diretor de Tecnologia da Informação de uma empresa privada, Eduardo Nunes, as propostas dos novos Faróis estão alinhadas às necessidades do mundo moderno.

“É tudo muito prático, qualquer pessoa pode participar, o que abre uma infinidade de possibilidades para toda uma geração que vai contar com esse aprendizado. E não é só disponibilizar esse material, como também dar meios para que os participantes possam colocar a mão na massa efetivamente e desenvolver novos projetos. É um mecanismo bem bacana”, afirmou Nunes.

A opinião do diretor é compartilhada pelo empresário Álvaro Angulski, que, apesar de já conhecer os Faróis do Saber, se surpreendeu com os estúdios de criação inaugurados nos locais. “O projeto aproxima e traz oportunidades às pessoas mais carentes, que têm dificuldade de acessar esse tipo de informação. O que me encantou não foram apenas os livros e as tecnologias, mas justamente a possibilidade de encontrar nessas comunidades talentos que possam melhorar o mundo”.

As oficinas

Os interessados em participar das atividades oferecidas vão encontrar dois formatos de oficinas nos Faróis: de instrução, que ensinam programação, modelagem, impressão e criação de jogos digitais e de tabuleiro; e de produção de projetos, em que a pessoa pode criar desde protótipos até a sua própria startup – empresa de pequeno porte, normalmente de base tecnológica.

Na unidade do Farol Rocha Pombo, da Escola Municipal Papa João XXIII, os estúdios de criação começaram a funcionar em abril deste ano. Desde então, várias iniciativas já foram para frente. “Nós temos projetos ainda incubados sobre energia eólica, carros movidos a pilha… Mas os alunos já desenvolveram trabalhos de arquitetura e criaram jogos sobre Curitiba para ajudar professores a lecionarem sobre o assunto. Eles não usam apenas tecnologias digitais, mas também diversos materiais, como cola, ferro de solda, palitos de sorvete, papelão e outros recicláveis”, disse a professora de Tecnologias da unidade, Maria Elena Soczek.

De acordo com ela, os estudantes que participam das oficinas não só enriquecem o conhecimento como também mudam de comportamento na escola e em casa. “Uma vez, um pai que é mecânico me disse que não conseguia nem falar com o filho. Depois que o menino aprendeu a usar os mesmos equipamentos que ele, no entanto, os dois passaram a fazer as coisas juntos, o que melhorou o convívio com a família”, contou.

Mudança para o aluno

O aluno do nono ano da Escola Papa João XXIII, Matheus Henrique, é um dos beneficiados com o projeto. Durante as oficinas, ele aprendeu a mexer com software de programação, a modelar e a criar objetos com palitos. “Eu nunca tinha experimentado algo nesse sentido e gostei bastante. Agora quero repassar o que aprendi para as outras pessoas, por isso pretendo ajudar os professores. Posso dizer que mudei um pouco o meu comportamento depois de começar a participar das atividades no Farol”.

Entre os trabalhos disponíveis, o que ele mais gosta são os que envolvem criação. “Eu já produzi um carro que não precisa de combustível, por exemplo. Nós ainda teremos oficinas mais avançadas e eu estou pensando em fazer um gerador de energia eólica para sustentar o Farol, para que ele não precise mais pagar luz para a Copel”, comentou.

Aberto para a comunidade

Quem tem interesse em participar dos projetos deve ir até o Farol do Saber e Inovação mais próximo de casa para fazer a inscrição. A partir daí, a pessoa tem ao alcance oficinas de mídias digitais, programação e modelagem 3D – tudo o que está disponível também aos estudantes de escolas e CMEIs. Para a comunidade, esses cursos são ministrados nas quintas-feiras.

Para consultar os endereços e obter mais informações, clique aqui.

Esta reportagem é a primeira de uma série de três com o tema Educação e Inovação