O Ministério Público do Paraná (MP-PR) pediu o arquivamento do inquérito que investiga um suposto crime de extorsão contra o ex-BBB Diego Alemão. O parecer foi publicado nesta sexta-feira (24). Em abril, três pessoas foram presas pela Polícia Civil suspeitas de cobrarem R$ 50 mil de Alemão pela não divulgação de imagens relacionadas a um acidente de trânsito que envolveu o ex-BBB.

Diego Alemão ao lado do advogado Jeffrey Chiquini – Foto Banda B

Segundo o MP-PR, o arquivamento se dá em “face a ausência de provas suficientes da prática dos crimes de extorsão e associação criminosa, portanto, ausente a justa causa para oferecimento da denúncia”.

Segundo a Polícia Civil, o homem que filmou a prisão de Alemão em Curitiba, Daniel Alves, e os advogados Walter José de Fontes e Maurício Gomes Tesseroli teriam entrado em contato com o advogado Jeffrey Chiquini e oferecido um valor R$ 50 mil para a não divulgação de mais imagens da detenção. A prisão dos três, inclusive, aconteceu no escritório de Chiquini, com flagrante da suposta negociação.

No parecer, o MP-PR chega a citar a participação de Diego Alemão no Big Brother Brasil, “sendo ele, portanto, pessoa pública, sujeita à exposição, especialmente, de cunho midiático.”

Para o advogado de Daniel e Maurício, Ygor Nasser Salah Salmen, o parecer reconhece algo que a defesa já vinha dizendo. “A Justiça tarda, mas não falha. Várias mentiras contadas por pessoas sem qualquer responsabilidade e que buscam fugir de suas responsabilidades. Inocentes presos em pleno exercício da profissão, fatos reconhecidos pela OAB, pelos colegas advogados e agora pelo Ministério Público. Sempre alertamos que trabalhar com direito penal exige seriedade e, principalmente, que não estamos em um reality show. Infelizmente não fomos ouvidos e agora, como consequência, todos serão responsabilizados pelos crimes e fraudes cometidas nas esferas competentes: criminal, cível e administrativa”, disse.

Com o arquivamento dos crimes de extorsão e associação criminosa, a fraude processual foi encaminhada para ser apurada junto ao acidente de trânsito em que Alemão está sendo investigado.

Outro lado

A defesa de Diego Alemão também se posicionou por meio de nota. Confira na íntegra:

Embora a defesa de Diego Gasques discorde do pronunciamento ministerial, esclarece que respeita a manifestação da Promotora de Justiça.

Na contramão do desejo social e da legislação vigente, que reprova e responsabiliza “chantagens”, “acharques” e “acertos”, o Ministério Público entendeu que a exigência indevida para não divulgar vídeos à imprensa, não fornecer provas à justiça e modificar depoimento de testemunha, configura o crime de fraude processual.

A manifestação da representante do Ministério Público não constitui declaração de inocência dos investigados, mas conclusão da prática de crime de fraude processual, que é comportamento reprovável, ainda mais quando praticado por advogados, que devem privar pela lisura de seus atos e cumprimento das leis.

A manifestação da Promotora dependerá da concordância da Juíza para que produza efeitos.

Jeffrey Chiquini

O acidente

Diego Alemão foi preso após acidente ocorrido no fim da madrugada do dia 18 de abril, na Rua João Alencar Guimarães, no bairro Santa Quitéria.

O ex-BBB dirigia uma Mitsubishi Pajero e bateu contra o Renault Fluence do motorista de aplicativo Fabio Rosário, que estava estacionado. Após um princípio de confusão, Alemão acabou preso pela Polícia Militar e foi levado à Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran). Ele permaneceu detido por aproximadamente 30 horas.

Cerca de uma semana depois, o suposto crime de extorsão foi denunciado por Chiquini.