Eduardo Vitor Garzuze, acusado de ser o responsável pelo acidente de trânsito que matou três pessoas de uma mesma família em setembro de 2013, foi condenado a nove anos e oito meses de prisão por três homicídios simples e uma lesão corporal, no início da noite desta terça-feira (6), no Tribunal do Júri, em Curitiba. O réu está preso e começa a cumprir a pena a partir de hoje, mas a defesa deve entrar com o pedido de habeas corpus para que Garzuze possa recorrer da decisão em liberdade.

Tribunal do Júri em Curitiba no caso da morte de 3 da família Empinoti – Foto: Banda B

A tragédia para a família Empinoti aconteceu no cruzamento da Av. Silva Jardim com a Rua Alferes Poli, na região central de Curitiba. Morreram no acidente Lorena Camargo, de 47 anos, o neto dela, Igor Empinoti, de 9, e a filha, Gabriele Empinoti, de 23, que era tia da criança. Sobreviveu no Corsa o marido de Gabriele, Jacskon Adriano Ferreira, além de Garzuze.

O assistente de acusação, Bruno Pereira, afirma que a família encarou a decisão com tranquilidade e que a sentença deve ser mantida. “A família encara com tranquilidade e serenidade essa decisão. Agora é natural que a defesa interponha recursos aos mais diversos tribunais, mas acreditamos que a decisão será mantida”, afirmou Pereira.

Anelize Empinoti, irmã de Gabriele Empinoti, que morreu no acidente, contou ter sido dolorido reviver o acontecido durante o julgamento, mas que a justiça foi feita. “Com certeza a gente venceu uma batalha e a justiça foi feita, mas é muito dolorido reviver e ouvir tudo que eles disseram. Conseguimos uma condenação que espero seja exemplar, para que as pessoas saibam que existem consequências e não existe impunidade total e absoluta”, disse ela que deu o nome de sua filha em homenagem à mãe que também morreu na colisão.

“Foi muito difícil retomar a vida depois do que aconteceu, tive que fazer tratamento e hoje temos uma filha pequena que recebeu o nome da minha mãe em homenagem a ela. Mas nada apaga o que aconteceu, nada tira a dor e a tristeza que a gente ainda sente”, revelou Anelize.

O advogado de defesa, Clauber Júlio de Oliveira, disse que considera a prisão imediata de Garzuze injusta e entrará com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça. “Nós entraremos já amanhã no Tribunal de Justiça com um habeas corpus, visto que a prisão foi injusta. Há entendimento consolidado que em decisão de primeira instância, o réu teria o direito de recorrer pois respondia em liberdade provisória e compareceu a todos os atos processuais”, disse o advogado.

Oliveira afirmou ainda que pedirá a anulação do júri, já que a promotoria fez referência diversas vezes a prova ilícita durante o julgamento, além de buscar uma redução da pena. “Nós vamos pedir a anulação do júri, porque o promotor por diversas vezes fez menção ao laudo de dosagem alcoólica, que o próprio tribunal já havia reconhecido como ilícito e determinou a retirada dessa prova dos altos. Entendemos também que a pena foi acima do razoável, já que se trata de réu primário e com bons antecedentes, por isso pleitaremos uma redução de pena”, finalizou o advogado de Garzuze.

Tragédia

A madrugada do dia 22 de setembro de 2013 seria um novo começo para Anelize. Recém-formada, comemorava no baile de formatura a conquista com a família e dedicava esta conquista para a mãe. “Ela estava muito feliz naquela noite, pois nós duas estávamos formadas”, relembra Anelize, irmã de Gabriele.

Gabriele, Anelize (formanda), Lorena e Igor – (Foto: Arquivo Pessoal)

No fim da festa, o filho de nove anos de Anelize, Igor Empinotti, pediu à ela para dormir na casa da vó. “Eu já tinha negado algumas vezes, mas ele insistiu e eu acabei cedendo. Ele se despediu de mim dizendo que eu era a melhor mãe do mundo”, conta, emocionada.

Separada em dois carros, a família seguia rumo à região norte de Curitiba, onde moravam. “Nós não combinamos por qual caminho voltaríamos para casa. Cada carro seguiu um trajeto. Quando chegamos em casa, nos avisaram que havia acontecido um acidente e que não sabiam qual era a gravidade. Fomos correndo para o hospital”, lembra Anelize.

Anelize e o filho Igor, durante a festa de formatura – (Foto: Arquivo Pessoal)

Chegando lá, o casal descobriu que o carro em que estavam Gabriele, o noivo dela, Jackson, a mãe de Anelize e o filho Igor havia batido contra um veículo, no cruzamento da Avenida Silva Jardim com a rua Alferes Poli. Um motorista embriagado, em alta velocidade, que fugia de outro acidente causado por ele, atingiu a lateral do carro da família.

Com o impacto, o Corsa dirigido por Gabriele acabou girando na pista, batendo com a traseira em um poste. Lorena e Igor, que estavam no banco de trás, morreram na hora. A irmã de Anelize faleceu na ambulância a caminho do Hospital Evangélico. Jackson, o único sobrevivente, sofreu inúmeras fraturas.

O motorista responsável pela tragédia, Eduardo Garzuze,  também teve sérias lesões e perdeu parte do nariz. No hospital, foi autuado em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.

Eduardo Vítor Garzuze, responsável pela morte de Lorena, Gabriele e Igor, responde o processo em liberdade desde então. Em outubro de 2015, os advogados de Garzuze tentaram levar o caso para o Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, sem sucesso. No mesmo ano, o Tribunal de Justiça do Paraná decidiu levar o caso a júri popular, após negar inúmeros recursos da defesa.

Assista ao depoimento de Anelize feito à Banda B em novembro de 2018: