Cerca de 100 motoboys pararam novamente, na manhã desta sexta-feira (16), para reivindicar direitos da profissão. Segundo eles, todos estão vivendo de “migalhas”. No segundo protesto da semana (o primeiro foi na terça – 13), os trabalhadores se reuniram em frente ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para dialogar a respeito da relação da categoria com os aplicativos de entrega. O presidente do Sindicato dos Motofretistas e vereador Cacá Pereira (DC), afirmou que o “protesto é pertinente” e as  empresas precisam valorizar os trabalhadores.

Fotos: Antônio Nascimento/banda B

“Essas empresas de aplicativo precisam valorizar os motofretistas. Eles estão trabalhando de qualquer jeito, sem qualquer garantia mínima. Eles prestam um bom serviço a sociedade, merecem esse respeito. O mínimo que queremos hoje é a presença deles aqui para que possamos retomar os diálogos. Esperamos sair daqui com algumas conquistas”, declarou o presidente.

Uma audiência acontecerá, principalmente, para dialogar com a empresa Loggi, a maior do setor. Entretanto, o motofretista Filipi Dolteviski, disse que causa é referente a todos os aplicativos de entrega. “Estão sucateando nossa profissão, que já não é valorizada. Não temos segurança de nada. Se acontecer um acidente, dependendo da situação, eles ainda cobram de nós”, explicou.

O motofretista Sidney, que há 15 anos está na profissão, lamenta a maneira como os trabalhadores estão sendo tratados. “Os aplicativos prostituíram nossa profissão e os trabalhadores estão descontentes. Estamos vivendo às migalhas. Hoje, mal sabemos o valor de uma corrida, eles pagam o querem e temos que aceitar o que eles têm para oferecer. Tem uma pessoa aqui no Ministério para nos representar, além do presidente do Sindicato e uma pessoa da OAB que está nos auxiliando”, disse.

Protestos

Na última terça-feira (13), os motoboys decidiram protestar contra a empresa Loggi. Eles se reuniram em frente a um dos barracões da empresa na CIC para cobrar mudanças na relação de serviço. Os motoboys atuam como terceirizados de forma autônoma. Os clientes buscam a empresa que, por sua vez, utiliza os serviços dos motoboys.

O protesto era contra o valor do pagamento para algumas corridas, principalmente aquelas em que o destinatário não está em casa e o motoboy precisa voltar com a encomenda para o barracão de onde retirou. Os motoboys também reclamam da contratação de carros para fazer as entregas, sem ampliar rotas e sem fazer as mesmas exigências.

À Banda B, o procurador Alberto Emiliano de Oliveira Neto disse que os relatos das categorias são bastantes preocupantes e que o MPT irá mediar uma negociação com a empresa Loggi. “Nós temos como meta promover direitos sociais. E, quando você tem notícia de pessoas que trabalham de sol a sol não possuem os direitos reconhecidos, entramos com as medidas cabíveis. No protesto anterior, pelo que relataram, eles foram bloqueados pelo aplicativo e estão sem conseguir trabalhar. É algo que requer nossa mediação para que encontremos um meio termo”, descreveu.

Outro lado

A empressa Loggi se manifestou no último protesto, na terça-feira,  com a seguinte nota sobre o caso:

A Loggi tem o compromisso de realizar entregas expressas e, para isso, contamos com uma rede de entregadores autônomos que utilizam diversos modais para realizar um frete. A definição do modal ocorre de acordo com algumas variáveis, entre elas, a demanda dos clientes, o volume de pacotes e o prazo de entrega. Reiteramos nosso compromisso em desenvolver uma plataforma que ofereça uma experiência incrível aos clientes, alavancando negócios em diversos setores da economia, gerando renda e transformando as cidades em que atuamos.

Assista ao vídeo que mostra a manifestação desta sexta-feira: