O trecho da Rodovia João Leopoldo Jacomel, entre os bairros Maria Antonieta e Jardim Triângulo, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, tem deixado os moradores bastante inseguros. O acidente que culminou na morte de Alexsandro Riquelme, 8 anos, foi o estopim para que comunidades ao redor se mobilizassem para pedir meios de redução de velocidade. De responsabilidade do Governo do Estado, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) afirmou à Banda B que estuda, em conjunto com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), a implantação de redutores eletrônicos de velocidade fixos.

Hoje, a antiga Estrada do Encanamento (nome dado pela passagem de canos de água da Sanepar) nada lembra as últimas duas décadas. O crescimento de municípios metropolitanos como Pinhais e Piraquara proporcionou a expansão das comunidades e bairros ao entorno da PR-415, recentemente alvo de revitalização, trincheira e obras de infraestrutura.

Quem viu de perto a mudança acredita que faltou estudo para o projeto da Rodovia João Leopoldo Jacomel, principalmente, que contemplasse o pedestre. “Ficou muito mal feito onde tem os bairros, as vilas, porque as pistas aumentaram, o fluxo é maior. Não foi colocado redutor de velocidade. Tem as placas indicando a máxima permitida, mas o pessoal não respeita”, lamenta o comerciante Álvaro Henrique de Freitas, que há quase vinte anos administra uma oficina mecânica na região.

Segundo ele, a ida e vinda de estudantes que moram de um lado, mas estudam do outro deixa o tráfego de pedestres ainda mais perigoso. “Precisa de uma passarela aqui. O que deixa a gente mais pasmo é que foram feitas duas passarelas no meio do nada, um pouco mais pra frente. Aqui tem maior número de pessoas cruzando e não temos passarelas. Infelizmente, pessoas tem que morrer para que as autoridades façam alguma coisa”, critica, em entrevista à Banda B.

Além das escolas, a estrutura comercial é mais ampla no bairro Maria Antonieta, fazendo com que os moradores do Jardim Triângulo cruzem a rodovia quase que rotineiramente. “Mercado, comércios, a maior parte é na Maria Antonieta. Então, a pessoa tem que atravessar tudo pro outro lado para comprar qualquer coisa que precise”, descreve o comerciante. “Meus filhos vem de ônibus da escola e meio-dia é uma tensão terrível porque é um ponto onde as pistas estão alargadas, só tem uma faixa de pedestre, não tem redutor de velocidade, é terrível”, completa Freitas à Banda B, que enviou um vídeo à redação, gravado na manhã de hoje (27).

 

Estudantes

A educadora Evelyn Fernanda Musse, 31 anos, amiga da família da criança que não resistiu ao atropelamento e faleceu na noite de ontem (26), acredita que cerca de cem famílias cruzam a rodovia todos os dias no trajeto casa x escola de crianças e adolescentes que estudam em colégios municipais e estaduais. “A maior dificuldade é atravessar a rodovia. Desde o início, pedimos passarela aqui por causa da escola, de outros comércios que têm do outro lado, ou até mesmo um radar para ver se os motoristas respeitam mais. Aumentou uma pista de cada lado, colocaram asfalto, os carros passam em alta velocidade, agora. Eles vem do viaduto no embalo e, se o sinal estiver fechado, eles furam”, alerta a moradora.

Um novo protesto da família e amigos de Alexsandro Riquelme não está descartado. O motorista que atropelou a criança teria cruzado o sinal vermelho em alta velocidade e fugiu do local, sem prestar socorro à criança.

Nota

Para a Banda B, o DER-PR, por meio de nota, lamentou a fatalidade e a imprudência de motoristas que trafegam em excesso de velocidade no trecho após as obras de duplicação. O órgão cogita a implantação de radares fixos para inibir a alta velocidade de motoristas.

“A PR-415 está devidamente sinalizada com indicação dos limites de velocidade (de 60 km/h e 70 km/h).  A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) realiza frequentes ações de fiscalização no trecho, com radares móveis, etilômetros e abordagens para verificação de documentos. Estas operações serão intensificadas pela PRE para coibir as infrações de trânsito na Rodovia João Leopoldo Jacomel. Além disso, o DER-PR e a PRE estudam em conjunto a implantação de redutores eletrônicos de velocidade fixos na PR-415.

Para garantir a travessia segura de pedestres na rodovia, foram instalados semáforos, demarcadas caixas de segurança no meio da pista e erguidas passarelas nos locais onde é possível instalar – nos locais definidos para atender a pedidos feitos em reuniões com a comunidade. Na região onde passam os fios de alta tensão da subestação da Copel, por exemplo, é inviável instalar uma passarela por questão de segurança.

O DER-PR ressalta ainda que a Resolução número 495 do Contran, de 5 de junho de 2014, proíbe a implantação de travessias elevadas em rodovias, pois especifica que está solução só pode ser adotada em áreas urbanas com velocidade máxima de 40 km/h”, finaliza a nota, na íntegra.

 

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