A origem do animal que assustou moradores de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, nesta quarta-feira (2), foi desvendado por biólogos do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biodiversidade (ICTBIO). De acordo com os pesquisadores que procuraram a Banda B, o animal já foi visto outras vezes e não oferece riscos à sociedade.

Trabalhadores encontraram o animal exótico durante a limpeza de um terreno que fica a 10 quilômetros da Estrada do Cerne. Segundo o vendedor Celso Almeida, morador da região, sua suspeita era de que se tratava de um filhote de cobra. No entanto, realmente existe uma relação deste animal com os répteis.

“Achei até que era uma montagem. Então, liguei para várias pessoas e a maioria ficou bem assustada. Muitas nunca tinham visto e pensaram que seria um mandorová”, disse Almeida durante entrevista.

Um dia após a veiculação da reportagem da Banda B sobre o animal, os biólogos do ICTBIO explicaram que o bicho seria uma larva ou lagarta de mariposa que imita a aparência de uma serpente, ou seja, há relação com a primeira hipótese levantada pelo vendedor.

“Em Ecologia, essa imitação recebe o nome de mimetismo, no qual um animal geralmente inofensivo se assemelha a outro que seja perigoso para se defender de seus agressores. No caso da lagarta em questão, o mimetismo com uma serpente possivelmente visa protegê-la, principalmente de aves, que devem ser seus principais predadores”, explicou o hipertólogo e curador do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biodiversidade, Sérgio Morato.

Ainda de acordo com Morato, essa arte de imitação, ou camuflagem, é presente em diversos grupos de animais. Um dos exemplos são as cobras corais falsas que, geralmente inofensivas, possuem colocações similares às de cobras corais verdadeiras.

Um ouvinte da Banda B enviou à reportagem fotos que detalham melhor as características do animal:

Para bióloga Maristela Zamoner, que é lepidopterologista e também curadora do ICTBIO, reiterou que o animal fotografado pelos moradores da área rural de Campo Largo tem características compatíveis com as fases larvais da espécie Eumorpha lubruscae, que foi descrita pelo botânico e zoólogo Linnaeus no ano de 1758.

“É importante ressaltar que esta espécie, em suas fases jovens como neste caso, não oferece risco ao humano, como ocorre com espécies dos gêneros Lonomia ou Periga. O adulto de Eumorpha labruscae é uma mariposa belíssima, prestadora do valioso serviço ecossistêmico da polinização”, disse Zamoner à Banda B.

Segundo a lepidopterologista, especialista em insetos lepidópteros, esses animais devem ser preservados como parte relevante da nossa biodiversidade. Conforme relatado por ela, as fases jovens destes animais são conhecidas há pelo menos duas décadas: “Até já ganharam os jornais algumas vezes”, mencionou.