O anúncio do fechamento das fábricas da Ford no Brasil nesta segunda-feira (11) segue repercutindo. Em nota, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba declarou solidariedade aos mais de 7 mil trabalhadores que serão desligados ao longo de 2021 e também criticou a empresa. O documento (leia abaixo na íntegra), divulgado nesta terça-feira (12), classifica a decisão como “uma vergonha”, fala em “falta de sensibilidade” e em “descaso” com os brasileiros.

“Uma vergonha. É mais que necessário não só cobrar a devolução dos incentivos como também exigir uma indenização decente para que todos os trabalhadores possam se manter até conseguirem outra ocupação”, diz trecho do documento.

 

Foto: Divulgação/Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC)

 

As fábricas da Ford que serão fechadas ficam em Taubaté (SP), Camaçari (BA) e Horizonte (CE). Apesar do encerramento das atividades, a montadora destaca que não serão todos os trabalhadores demitidos. A sede da montadora na América do Sul continuará sendo no Brasil, e o campo de provas de Tatuí, bem como o centro de desenvolvimento da Bahia, continuam operando.

Em decorrência desse anúncio, a Ford prevê um impacto de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes, incluindo cerca de US$ 2,5 bilhões em 2020 e US$ 1,6 bilhão em 2021.

Governo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça-feira (12) que faltou à Ford “dizer a verdade” sobre o que motivou sua saída do Brasil e afirmou que a empresa queria a continuidade de benefícios fiscais no país.

“Mas o que a Ford quer? Faltou à Ford dizer a verdade, querem subsídios. Vocês querem que continue dando R$ 20 bilhões para eles como fizeram nos últimos anos –dinheiro de vocês, impostos de vocês– para fabricar carros aqui?”, declarou o presidente, na saída do Palácio da Alvorada.

Mais cedo, o Estadão apurou que o Ministério da Economia já estuda possibilidades de realizar uma recolocação profissional aos trabalhadores que serão impactados. Uma das possibilidades é a criação de um programa específico para ajudar esse grupo de trabalhadores altamente qualificados. No entanto, ainda são ideias preliminares.

Congresso

Na opinião do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o fechamento das fábricas representa a falta de credibilidade que o atual Governo Federal demonstra aos investidores.

“Espero que essa decisão da Ford alerte o governo e o Parlamento para que possamos avançar na modernização do Estado e na garantia da segurança jurídica para o capital privado no Brasil”, escreveu Maia em sua conta no Twitter.

Veja a nota na íntegra:

NOTA DOS METALÚRGICOS DA GRANDE CURITIBA EM SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES DA FORD

Os metalúrgicos da Grande Curitiba vem por meio desta, prestar solidariedade aos mais de 7 mil trabalhadores da Ford do Brasil, que anunciou, ontem (11), o fim da sua produção no país dando fim a mais de cem anos de história da montadora no Brasil. Vemos essa atitude como uma completa falta de sensibilidade da empresa e um descaso à nação brasileira.

É mais que necessário que o governo brasileiro saia da paralisia em que se encontra para exigir explicações e a compensação dos bilhões de reais em incentivos fiscais e demais benefícios tributários que a empresa recebeu ao longo de toda sua trajetória no país.

Não é de hoje que nós, trabalhadores do Paraná, temos denunciado a falta de uma cobrança mais efetiva do governo em cima das montadoras que recebem dinheiro público sem lhes ser exigido um mínimo de responsabilidade com a manutenção dos empregos dos trabalhadores, pais e mães de família. Ao menor sinal de crise, a primeira medida é sempre querer jogar a responsabilidade para cima dos trabalhadores com demissões e cortes de direitos e renda.

Uma vergonha. É mais que necessário não só cobrar a devolução dos incentivos como também exigir uma indenização decente para que todos os trabalhadores possam se manter até conseguirem outra ocupação.

SÉRGIO BUTKA – PRESIDENTE