Cerca de cinquenta funcionários de uma metalúrgica na Cidade Industrial de Curitiba se reuniram na manhã desta terça-feira (2) para protestar contra o fechamento repentino da empresa. Segundo os funcionários, o salário estava atrasado há dois meses e todos foram pegos de surpresa com a falta de comunicação de fechamento. Não há documentos de rescisão, nem pagamento de custas indenizatórias. O Sindicato dos Metalúrgicos entrou com uma denúncia via Ministério do Trabalho.

 

Funcionários se reuniram para protestar. Foto: Banda B

 

A empresa é argentina, fabrica cabines para máquinas agrícolas e funcionava na rua Ilnah Pacheco Secundino de Oliveira há quase uma década. Paulo Cesar Garcia dos Santos é auxiliar de lixador e disse que há meses a empresa dava sinal de que não estava em um momento favorável.

“Ficamos sabendo por terceiros, nem comunicaram a gente. A gente estava em banco de hora há algum tempo e quando soubemos viemos aqui e demos com a empresa fechada. A gente vinha, trabalhava três dias e passava três em casa, a empresa já estava em uma situação ruim. Mês passado a gente ficou sem pagamento, em abril eles só adiantaram o vale. Não temos um parecer, o dono é da argentina, estamos aqui, largados. Filhos para comer, aluguel vencido”, lamentou o funcionário, em entrevista à Banda B.

 

Funcionários disseram que salário estava atrasado há dois meses. Foto: Banda B

 

Já o operador de máquina injetora Izaias de Oliveira Cardoso trabalhava na empresa há 8 anos e disse que jamais imaginou passar por essa situação. “Eu não imaginei que iria chegar a esse ponto, com conta atrasada, família sem amparo. Precisamos ver se alguém resolve nosso problema. Já fizemos uma denúncia”, disse ele;

Além dos funcionários, familiares também se reuniram para encorpar o protesto. Uma delas é Castolina Garcia, que se juntou aos manifestantes em prol do marido e do filho, ambos funcionários da empresa. “Meu esposo trabalha aqui há 8 anos e meu filho há dois. Uma situação muito difícil na minha casa e de tantas outras pessoas. Estamos pedindo para que as autoridades olhem por nós. Não queríamos estar aqui em plena pandemia, fora de casa, mas infelizmente, ou o vírus mata ou a fome. Tomara que a justiça resolva isso para nós. Muitos não tem dinheiro para comer”, disse ela.

Presente na manifestação, o diretor do Sindicato dos Metalúrgiso, Algacyr Almeida Machado, garantiu que tentou negociação com a direção da empresa, mas sem sucesso. “Dentro das normas legais, quando recebemos a denúncia dos funcionários, o sindicato veio e conversou com uma pessoa que estava representando a empresa, demos indicativos sobre o que poderia ser feito para resolver a situação, já que tinha boatos de que a empresa seria vendida e estavam tentando vender o maquinário. A única verdade que ficou é que os trabalhadores ficaram sem pagamento, tentamos utilizar das ferramentas da medida que prevê um valor emergencial do governo aos trabalhadores, mas não houve acerto. Pedimos que a empresa desse aviso prévio aos trabalhadores para que eles pudessem dar entrada no seguro-desemprego e, infelizmente, nenhuma dessas alternativas foram aceitadas por eles”, detalhou.

A denúncia foi encaminhada ao Ministério do Trabalho e o objetivo dos trabalhadores é que nenhum maquinário seja retirado do barracão para que possa ser vendido e revertido em ações rescisórias.

O aluguel do barracão onde funciona a empresa também está em atraso, segundo os funcionários. Uma oficial de justiça esteve presente na manhã de hoje na empresa, acompanhada da Polícia Militar (PM) para entregar um documento com relação ao atraso.

Retorno

A Banda B tentou entrar em contato com a empresa por meio de ligação telefônica, mas não obteve sucesso.