O desabastecimento pontual de água não intimidou alguns jovens colombenses, na região metropolitana de Curitiba, a promover uma guerra de bexiga d’água. Segundo o organizador, a ideia é se manifestar contra as paradas de água e a forma como a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) atua na retenção do desabastecimento. “A população tem direito de usar a água e está pagando pelo serviço”, disse Alisson Schneider, que criou o evento, em entrevista à Banda B. Na contramão, especialistas garantem que a demanda aumenta a cada ano e somando às condições climáticas é preciso estar atento ao consumo.

O encontro acontecerá no Alto Maracanã, a partir das 13 horas do domingo (23). Segundo o organizador, a recomendação é usar água da chuva se contrariando na versão inicial. “Estávamos reclamando que só a região metropolitana sofre com a falta de água, porque bairro como Batel (Curitiba) não tem. Falamos em fazer uma guerra de bexiga com água para a Sanepar vir encher a gente, mas era brincadeira. Mas como o pessoal duvidou que eu postaria isso na página, postei porque era uma brincadeira e depois virou de verdade, mesmo”, contou.

No último fim de semana, o município de Colombo teve alerta no abastecimento de água nos seguintes bairros: Mauá, Guaraituba, Palmital, Atuba, Vila Zumbi, Campo Pequeno, Guarani, Maracanã, Monza, Rio Pequeno e São Gabriel.

Na página do Facebook, algumas pessoas acreditam que o encontro é para protestar e se divertir, sem causar tumultos ou prejuízos. Entre esses apoiadores do evento, uma internauta teve uma resposta (print ao lado) direta do organizador quando demonstrou preocupação quanto ao consumo. É que tá tendo água de sobra no Paraná né… Super certo vocês, escreveu. Primeiro vc (sic) vai pgar (sic) a minha conta? segundo que novembro choveu o mês inteiro, terceiro deve dar esta desculpa para não lavar a tua cara tbm (sic) né!, escreveu o organizador da página.

Entretanto, para a Banda B, Alisson confirmou que enxerga o valor da água como social e que ela é mais barata do que deveria. “Realmente, o valor total da água um valor simbólico, mas a Sanepar enche de taxas. A população tem direito de usar a água e está pagando pelo serviço. A função do Estado é levar esse serviço para a população, é dever deles”, finalizou, em entrevista à Banda B.

Especialista

Para o engenheiro agrônomo e especialista em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Cleverson Vitório Andreoli, a falta de conhecimento sobre a água gera um consumo desenfreado. “Hoje, a água é um produto muito barato, o que estimula o desperdício, e as pessoas não têm a menor consciência disso. Tenho certeza que a conta de telefone, de internet e de outros serviços são bem maiores do que a conta da água. Uma garrafa de 500 ml a preço comercial custa R$ 3. Pra utilizar a água durante o mês todo, a dez metros cúbicos, a tarifa é R$ 40. As pessoas precisam ter a consciência de que a demanda por água vai aumentar até 55% em poucos anos”, finalizou.