A Vara Criminal de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, determinou, nesta quinta-feira (30), a imediata suspensão das atividades de um médico investigado por cobrar pacientes para furar a fila de prioridades do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) no âmbito da Operação Mustela, que investiga o envolvimento de agentes públicos e profissionais de saúde na organização criminosa.

Imagem ilustrativa (Reprodução EBC)

A decisão judicial determinou ainda que outras três pessoas denunciadas pelas práticas criminosas – entre elas, um vereador de Bandeirantes que atuava na intermediação das tratativas – não mantenham qualquer tipo de contato com pessoas identificadas no processo como vítimas das cobranças indevidas. Ao afastar das funções o médico, que atua na área de Ortopedia, a Justiça destaca que o não cumprimento da decisão pode acarretar a imediata decretação de sua prisão preventiva. Os quatro são denunciados pelo crime de concussão (exigir vantagem indevida em razão do cargo que ocupa).

Segundo o promotor de justiça responsável pelas investigações do caso, Hugo Evo, além do médico, os outros três envolvidos na decisão judicial são a secretária dele e dois agentes públicos. “O médico, auxiliado por sua secretária, recebia o dinheiro para fazer os atendimentos de pacientes captados pelos agentes políticos”, explicou Evo. O promotor afirmou também que os valores pagos ao médico variavam bastante. “Os valores variavam de R$ 1500 a R$ 5000. Em casos mais pontuais que identificamos, encontramos valores de R$ 8 mil, R$ 10 mil, mas geralmente começavam em R$ 1500”, contou à Banda B.

Ainda segundo Evo, os envolvidos podem ser presos e o médico pode perder a licença para exercer a medicina.

Busca e apreensão

Ainda no âmbito da Operação Mustela, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná cumpriu na manhã desta quinta-feira, 30 de maio, quatro mandados de busca e apreensão. Os mandados foram cumpridos em Curitiba e Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, em três albergues de uma casa de apoio e em uma residência.

O cumprimento dos mandados objetivava colher provas acerca do envolvimento do proprietário da casa de apoio na intermediação de cobrança de valores de pacientes para internamento em hospitais pelo SUS. Foram apreendidos documentos, valores em dinheiro e aparelhos de telefone celular.

A investigação do MPPR sobre a organização criminosa, que teve início em 2017, mostrou que, além de Campo Largo, a conduta do grupo vinha ocorrendo em outros municípios do estado. A partir de depoimentos de vítimas e informações obtidas por meio de quebra de sigilos telefônicos, a operação foi deflagrada em dezembro de 2018, com o apoio do Gaeco, que cumpriu mandados de buscas e apreensão e de prisão temporária contra alguns envolvidos.