A secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak, defendeu nesta quinta-feira (24) a possível retomada das aulas em Curitiba. Em audiência na Câmara Municipal, ela afirmou que a volta é uma questão social e que o debate não está sendo feito de forma adequada.

Foto: CMC

“É óbvio que a gente não está dizendo que, ao voltar para a escola, que a criança não pode desenvolver a Covid-19. O que nós sabemos, discutindo com os infectologistas, é que 99% dos jovens abaixo dos 19 anos vão ter a Covid-19 de forma leve. Tivemos 1% de casos [de jovens, em Curitiba] que internaram. E são casos de crianças que não estariam em escola, em creche. Foram crianças que adquiriram a Covid-19 por estar indo aos hospitais para se tratar [de outras condições médicas]”, declarou. Huçulak entende que “não é só a educação formal, [que] a escola tem um papel social de proteção da criança e do adolescente” e que “lamenta pelas crianças”.

A Prefeitura de Curitiba orienta a volta às aulas na rede municipal de ensino: Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e anos iniciais do ensino fundamental (1ª a 5ª série).

Huçulak ainda criticou a judicialização do debate. “Isso já não nos pertence mais, pois estamos impedidos [por medidas judiciais]. Agora é a sociedade que tem que decidir isso. Fomos interpelados por uma ação civil pública. Várias, aliás, que a gente respondeu, do Ministério Público [do Paraná] e, inclusive, chegou [ao ponto de] num vídeo reunião, com um promotor… [De ser feita] ameaça a todos os membros do comitê, em processo criminal, cível e administrativo”, testemunhou Huçulak, referindo-se ao grupo que avalia as medidas de combate à propagação do Sars-CoV-2. Ela sinalizou que a volta às aulas estava em debate na Prefeitura de Curitiba, mas que a judicialização do tema travou esse avanço. “Só tenho a lamentar a ação de grupos que não querem nem ouvir falar disso”, disse.

Crítica

Segundo a secretária, a discussão não está sendo tomada como deveria. “As primeiras atividades que voltaram, em vários países, na Europa, foram as escolas. Mas o Brasil fez uma opção inversa. A gente tem muita pressão para soltar buffet infantil, eventos, festas e bares… E eu acho que a sociedade não fez uma discussão adequada com relação a esse tema tão delicado”, comentou.

Em Curitiba, ainda não há data para o retorno.