“Eu estava com uma angústia, porque pensava que nunca mais veria a minha filha”. A fala é da consultora de beleza Márcia de Lima, que reencontrou a filha de 7 anos na tarde desta terça-feira (10), em Curitiba, após 24 dias. A mãe procurou a Banda B na última semana e afirmou que o pai se recusava a devolver a pequena. O reencontro foi possível após uma ordem judicial da Vara da Família, que determinou ao pai, Deoclides Leite, que deixasse a criança no Fórum da Criança e do Adolescente, no Centro Cívico.

O pai também conversou com a reportagem no local e afirmou que só não entregou a filha antes porque a ex-mulher teria se mudado para outro estado sem autorização. “Tive medo de não mais ver a minha filha, foi isto que aconteceu”.

 

O reencontro da menina de 7 anos com a mãe e o padrasto em Curitiba. Foto: Marcelo Borges/Banda B

 

O casal está divorciado desde 2015, mas mantém uma guarda compartilhada da criança. Em entrevista à Banda B na última sexta-feira (6), a mãe afirmou que a criança foi raptada no dia 17 de outubro pelo pai. Segundo a mulher, ela foi buscar a filha na casa do pai após uma visitação, mas não foi atendida. “Retornamos para buscá-la, tinha gente em casa, mas ninguém nos atendeu. Voltamos na segunda-feira e nada”, disse ela a reportagem na época.

Encontro

A Banda B ainda apurou que, por decisão da Justiça, não pode dormir na casa do pai. Foi após a ordem judicial, emitida no mesmo dia e que dizia que o pai deveria entregar a filha para a mãe em 24 horas, que Márcia pode reencontrar a filha após 23 dias.

“É uma alegria e um grande alívio. Eu achava que nunca mais a veria, mas eu sou muito grata a Deus, em primeiro lugar. Em segundo, ao meu esposo. Terceiro, aos amigos das minhas redes sociais e as pessoas que se sensibilizaram com a minha dor. É muito angustiante uma mãe ficar 23 dias sem ter contato, nem sequer por telefone com a filha”, comemorou.

Acusação

Márcia disse a reportagem que agora lutará na Justiça pela guarda unilateral da criança. “A pessoa pega a criança e usa isto como um troféu para querer me punir, me atingir. E eu quero denunciar visto que ele deve mais de 20 mil reais de pensão desde 2016. Então, eu quero que a Justiça seja feita e reivindico a guarda unilateral. Que ele tenha direito de visita assistida. É só isto que quero”, atacou.

Para o advogado de Márcia, Rafael Millarch, disse que espera que a Justiça atue entendendo as vontades da criança. “Hoje, a gente vê a menina nos braços da mãe e do padrasto depois de muito tempo esperando uma satisfação, principalmente, por parte do pai. Ficamos até emocionados em ver este reencontro tão bonito. Eu espero que isto seja resolvido por alguma autoridade que entenda a parte da criança”, pontuou.

Outro lado

Também à Banda B, o pai e a advogada que representa o pai comentaram sobre o caso.

A advogada Ivone Batista também afirmou ainda que a mãe da menina deve ter um endereço na capital ou na região metropolitana para que o pai possa realizar as visitas. A representante ainda disse que o pai foi entregar a filha no endereço onde a mãe morava. No entanto, no dia ela não estava em casa. “Ela se mudou e não avisou. Então, é delicada a situação de uma mãe que diz que preserva os direitos da criança, mas não reconhece o direito do pai e o afeto da filha com o pai”, disse à Banda B.

Deoclides reforçou que só entregou a filha por conta da ordem judicial e teme que não consiga ver mais a filha por um tempo.

“Não sei quando vou a ver porque ela está em outro estado. Não sei o endereço e não tenho nada disto. Então, é angustiante e eu espero que ela traga a minha filha para visitação, pelo menos, já eu não tenho condições de ir lá visita-la”, afirmou.