Uma loja que revende veículos, localizada na Avenida Anita Garibaldi, no bairro Barreirinha, em Curitiba, está sendo acusada, pelos clientes, de ‘dar calote’ nas vendas. Pelo menos 30 vítimas estavam no 4º Distrito Policial, no bairro Boa Vista, nesta segunda-feira (27), para registrarem um boletim de ocorrência contra o estabelecimento.

A filha de uma vítima, Luana Xavier, explicou à Banda B que o pai havia comprado um carro Gol e, como forma de pagamento, entregou o veículo dele, um Citroen C3. Após fechar negócio, o homem descobriu que o automóvel adquirido não estava quitado.

Foto: Marcelo Borges/Banda B

“Tinha pendências e não podia ser financiado. Consegui recuperar o Citroen, porém veio faltando o multimídia, que pagamos R$ 900. Além disso, tivemos o prejuízo do IPVA do carro adquirido e um valor de R$ 400 referente a parcela”, relatou Luana.

Ao chegar na Delegacia, Luana se deparou com uma fila imensa de clientes que também foram enganados. “Eles vêm aplicando esse golpe desde outubro (2019). Conversei com várias pessoas na fila, estou aqui desde cedo e todos falando do dono. Quando a gente citava o nome dele, o escrivão já sabia e adiantava para os outros”, contou.

Outro cliente, Marcelo Ferreira, comprou uma Saveiro e, como parte do pagamento, deu um carro e mais uma quantia em dinheiro. Neste sábado (25), depois de estar com o veículo na garagem de casa, recebeu a informação de que o automóvel já tinha um financiamento e várias parcelas acumuladas.

“Pedi a transferência, como qualquer comprador, e eles diziam que ‘tal’ dia fariam, mas nada disso. O dono da Saveiro foi até minha casa e falou que haviam prestações atrasadas, tinha só uma parcela paga. Viemos à Delegacia tentar resolver e vimos umas 30 pessoas, só no tempo que ficamos aqui”, explicou.

Muitos clientes e até mesmo a Polícia Civil foram até a loja, mas aparentemente ela parece estar fechada. “Ninguém dá um respaldo, não fazem nada. Está difícil encontrar uma solução. O homem não atende, não sei onde está o meu carro. Agora vamos ver com o advogado o que é possível fazer”, disse Marcelo.

O advogado Luiz Martins Jr. está acompanhando a situação e orientando as pessoas a registrarem o b.o. “Posteriormente, tentaremos receber, amigavelmente, os documentos do carros – o que acho mais difícil. Se for o caso, interpor as ações competentes para isso”, completou.

O que o delegado diz

O delegado do 4º DP, Gutemberg Luz Neves Ribeiro, explicou que, a princípio, os casos não caracterizam crime.”Estamos ainda no início das investigações, mas o que nos chama atenção é que muitos dos casos são transações com esta loja, em que deixou-se de cumprir uma obrigação – ou na questão de pagamento, ou na entrega do documento, ou mesmo o veículo já deteriorado. Temos que esclarecer que isso, a princípio, não é crime”, ressaltou Ribeiro.

Foto: Marcelo Borges/Banda B

Ainda de acordo com o delegado, a PC fará uma orientação à todas as vítimas, para que procurem seus direitos perante a Justiça. “Temos que avaliar essas 30 situações, possível que outras apareçam, então vamos coletar dados e provas para encaminhamento à Justiça. Mas no contato com as vítimas, faremos a orientação de que não é situação da polícia agir e sim da Justiça, para que eles busquem os seus direitos. A parte criminal, a polícia irá investigar”, informou.

Dono da loja

A reportagem tentou entrar em contato com o dono da loja, mas não obteve sucesso. O espaço está aberto para manifestação.