Carlos Eduardo dos Santos, acusado pela morte da menina Rachel Genofre, encontrada em uma mala na rodoviária de Curitiba em novembro de 2008, será julgado pelo Tribunal do Júri. A decisão é da juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler, da 1ª Vara Privativa do Tribunal do Júri da Região Metropolitana de Curitiba, nesta sexta-feira (13).

A data do julgamento ainda não foi marcada, ainda cabe recurso da defesa, porém para o assistente de acusação, André Feiges, a decisão da magistrada está bem fundamentada. “Nós vamos finalmente para o último capítulo desse processo, dessa busca de mais de uma década por justiça. Ainda cabe recurso dessa decisão que está bastante fundamentada e concisa”, afirmou Feiges.

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No documento, a juíza ainda negou o direto do acusado recorrer em liberdade e determinou que Santos seja transferido para o presídio onde estava em Sorocaba, no Estado de São Paulo. “Este afirmou que quando se encontrava cumprindo pena em Sorocaba/SP, recebia visita dos seus familiares, e aqui no Paraná não consegue receber visitas em razão de sua família não ter condições financeiras para se deslocar até aqui”, diz Stadler na decisão.

Santos estava preso em Sorocaba por conta de condenações referentes a outros crimes.

Em nota, o escritório Daniel da Costa Gaspar – Advogados Associados, que representa Michael Genofre, pai de Rachel, exaltou a decisão de levar o caso a júri popular. Leia a nota na íntegra:

“O escritório Daniel da Costa Gaspar – Advogados Associados, na condição de representante legal do Sr. Michael Genofre, vem por meio desta nota pública informar, que na tarde desta sexta-feira, 13, teve acesso a pronúncia da meritíssima juiza da 1ª Vara Privativa do Tribunal do Júri da Região Metropolitana da Comarca, Mychelle Pacheco Cintra Stadler, em relação o ”caso Rachel Genofre”. Diante das deliberações da magistrada, externamos os seguintes pareceres:

1. Reiteramos o desejo de que a justiça seja feita neste caso que abalou a sociedade paranaense e curitibana, e exaltamos a decisão de levar o caso a júri popular conforme exposto na sentença;

2. O réu irá retornar a unidade penal em Sorocoba-SP, onde já cumpria pena por outros crimes, sem qualquer prejuízo ao andamento do processo, visto que será mantido preso pela justiça paranaense mesmo que cumprindo pena no estado de São Paulo.

O escritório Daniel da Costa Gaspar continuará acompanhando o decorrer do processo, e manifesta a satisfação do seu cliente, Michael Genofre, de que enfim esse longo e tortuoso período de incertezas em relação a esse caso esteja chegando ao fim.”

O caso

No final da tarde do dia 3 de novembro de 2008, a menina Rachel Genofre deixava o Instituto de Educação, no Centro de Curitiba, após o término das aulas. O tchau dado pela garota aos colegas de classe é a última lembrança que se tem de Rachel ainda viva. O corpo da garota, morta por esganaduras no pescoço, só foi encontrado dois dias depois, na noite do dia 5, dentro de uma mala abandonada embaixo de uma escada, na Rodoferroviária de Curitiba.

O caso, que é um dos mais emblemáticos do Paraná, só veio a ter uma solução possível 11 anos depois, com a identificação de Carlos Eduardo dos Santos pelo Banco Nacional de Perfis Genéticos. Em interrogatório, o acusado confessou o crime. Ele responde por homicídio duplamente qualificado, por meio cruel e para garantir a ocultação de outro crime.