Com o isolamento ganhando os dias e sem prazo para terminar, não é pequeno o número de pessoas que tem recorrido pela busca de ajuda em momentos de solidão e insegurança. E é para momentos como esse que o Centro de Valorização da Vida (CVV) está pronto para atender, 24 horas por dia. O avanço do Covid-19 pode provocar medo e ansiedade, mas necessita da colaboração social para que não tenha uma disseminação ainda maior. Nesse impasse pela qualidade de vida, porém, é que especialistas reforçam a necessidade de uma reflexão sobre o caminho pelo qual traçamos nossa vida.

Reprodução EBC

Para o presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ), Julio Dutra, o momento de isolamento precisa ser de análise. “Do início da pandemia até aqui, a gente tem orientado que as pessoas arrumem o armário, que as pessoas façam exercício em casa, entre outros, mas acredito que já deu tempo suficiente para tudo isso. Claro que é importante colocar as coisas em dia, mas temos que olhar para aquela fala comum nossa, que é a de falta de tempo para tudo. Agora nós temos esse tempo, então o que vamos fazer? Acredito que é necessário fazer algo produtivo e lembrar que na nossa casa não há motivo para pânico. Esse tempo precisa ser disponibilizado para colocar o cérebro em dia, o planejamento em dia e o que eu posso fazer realmente para a vida”, comenta.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo. São 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) que convivem com o transtorno, o que reforça a necessidade de cuidados com a saúde mental. Recorrer a informações concretas e qualificadas sobre a Covid-19, para evitar a insegurança, é um primeiro passo fundamental para quem convive com os transtornos.

“Manter a paciência, a calma, utilizar o bom senso e principalmente olhar positivo para a situação é a melhor dica”, diz Julio Dutra.

Morar sozinho

Em momentos de isolamento longo como o atual, morar sozinho pode se tornar um motivo de preocupação, mas Dutra diz que falar com a família é bastante importante aqui. “Há pessoas que se adaptam muito bem em estar sozinhas e gostam disso, sendo que não há problema nenhum nisso. Agora, aquelas pessoas que têm um nível de carência maior, quando não há possibilidade de ir para a casa de um irmão ou da mãe, as chamadas de vídeo se tornam uma boa ferramenta, buscando sempre a interação”, diz.

Ajuda

Mas e naqueles momentos que não parece mais existir uma luz no fim do túnel? Aqui é preciso destacar o trabalho do CVV.

De acordo com a porta voz do CVV de Curitiba, Claudiane Araujo, a pandemia dá uma percepção de aumento da busca pelo telefone 188 de pessoas que estão mais inseguras e angustiadas. “O suicídio é um processo e, muitas vezes, não vem de uma situação específica, mas sim de um somatório de questões. Quando uma pessoa não consegue trabalhar ou desabafar, não vê mais saída. O CVV é para todos aqueles que queiram desabafar e compartilhar uma dor”, explica.

O CVV presta um serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato. Segundo Claudiane, o grupo está ali para tentar prestar um pronto-socorro emocional. “O CVV vai acolher e os voluntários tentam mostrar a aceitação. Seja pelo telefone ou pela internet, há uma facilitação no diálogo e na conversa para que a pessoa se sinta a vontade e alivie seu coração”, diz.

Precisando de ajuda? O CVV presta apoio pela internet (https://www.cvv.org.br/o-cvv/) e pelo telefone 188.