Você certamente já ouviu de médicos e cientistas que deve-se evitar as confraternizações de fim de ano com mais de dez pessoas devido à covid-19, mas ainda assim mantém o evento marcado, sob a premissa de que ‘não vai acontecer nada com a gente, estamos todos bem’. Uma família de Curitiba percebeu na pele que o risco é iminente, depois de dois irmãos sentirem sintomas e testarem positivo para a covid-19, pouco antes da festa de Natal, que teria pelo menos uma pessoa com de mais de 55 anos.

(Foto: Divulgação)

 

O evento seria para menos de dez pessoas, mas com a presença de familiares que não vivem no mesmo lar. “A nossa ceia de Natal já seria restrita, ficando apenas entre eu e minha família, meu dois irmãos e minha mãe. Só que no sábado, um pouco antes da confraternização, meus irmãos tiveram sintomas e foi constatado que estavam com covid. Isso nos mostrou o risco que realmente é esse vírus, até pela transmissão por pacientes pré-sintomáticos“, ponderou uma das pessoas que participaria do evento, que precisou ser cancelado.

Outra pessoa que participaria da ceia, que também não quis se identificar, disse que mesmo sendo um evento restrito, com poucas pessoas, haveria um risco de contaminação. “Foi por pouco que nos livramos de pegar o vírus também. Devemos tomar o maior cuidado possível, porque tínhamos combinado de fazer a ceia na minha sogra e eles positivaram um pouco antes. Caso os sintomas não tivessem aparecido ainda, poderia haver a a ceia e a gente ter pego também”, disse.

Agora, a Ceia de Natal acontecerá apenas para quem mora na mesma casa. Sobre os pacientes infectados, eles se recuperam bem. “Fiquei com dor no corpo e estava bem cansada no sábado. Ai no domingo tive dor no corpo que não conseguia nem levantar. Aí, melhorei e apenas depois percebi que não sentia cheiro. Na sequência, meu irmão que mora comigo também começou a ter sintomas”, contou a jovem de 23 anos, uma das afetadas pelo vírus.

Riscos

O intensivista do Hospital Angelina Caron, Irinei Melek, que é presidente da Associação Paranaense de Pneumologia, alertou que é uma situação bastante delicada. “Sabemos que todos querem se reunir, mas este caso emblemático mostra que duas pessoas apenas podem transmitir para muitas outras. São vários casos aqui no hospital. A gente tem uma situação que atendemos de uma festa com dez pessoas em que três foram contaminados e pai e filho morreram”, descreveu.

Para Melek, as festas de fim de ano precisam ser restritas. “Estamos apelando ao bom senso da população para que as reuniões sejam as menores possíveis, apenas no núcleo familiar mais próximo, para que tenhamos um ano melhor e um Natal mais fantástico ainda em 2021”, pediu o especialista.