A idosa Maria Suzana Muller Branco, de 74 anos, moradora em Curitiba, passou por uma barra daquelas em 2020. Na cozinha de casa enquanto lavava a louça no Feriado de Páscoa, escorregou no xixi do cachorro e caiu com tudo no chão, fraturando o fêmur e precisando passar por uma cirurgia de emergência. Este tipo de lesão em idosos é grave e têm aumentado em tempos de pandemia, uma vez que pessoas com mais de 65 anos estão mais propensas a sofrer acidentes e, por conta do isolamento social, precisam realizar atividades que antes cabiam a parentes ou cuidadores.

Imagem Ilustrativa (Foto: Freepik)

 

Maria Suzana passou por uma cirurgia no Hospital Marcelino Champagnat com o ortopedista Ademir Antonio Schuroff e sentiu na pele a gravidade deste tipo de lesão. “É uma cirurgia complicada e doída. Fiquei com muita dor e não foi fácil, mas tive uma recuperação muito boa e agora estou bem. Fui bem assistida no hospital e estou já conseguindo andar. O que eu diria para as pessoas é que evitem se expor a estes acidentes”, disse à Banda B.

Doutor Ademir do Marcelino Champagnat (Foto: Divulgação)

Segundo a Organização Municipal de Saúde (OMS), as fraturas provocadas por quedas estão entre as maiores causas de morte de idosos no mundo. Para o doutor Ademir Antonio Schuroff, a pandemia expôs as pessoas do grupo de risco a atividades que antes eram de terceiros. “Estão fazendo atividades que antes não faziam, como arrumar armários, subir em bancos ou trocar lâmpadas. Com isso, acabam caindo e sofrendo fraturas, que pela idade podem ser graves”, falou.

Além disso, o ortopedista destacou à Banda B que o isolamento social fez com que os idosos deixassem de lados atividades físicas, tão importantes para o fortalecimento muscular. “Antes faziam pilates, hidroginástica e agora deixaram tudo isso de lado. Perdem massa muscular e ficam depressivos, por não poderem mais sair de casa. Então isso tudo é muito complicado para os idosos”, disse.

As fraturas mais comuns para os idosos, além do fêmur, são de coluna, ombro e punho. Outra dificuldade por conta da pandemia está na recuperação destes pacientes. “Além da impossibilidade muitas vezes do exercício físico, as casas não estão adaptadas da melhor forma para receber uma cadeira de rodas e andador, no caso de uma fratura de fêmur. Sabemos que é difícil de evitar um acidente, mas o ideal é não se expor, não subir em bancos, escadas e assim vai, além de tentar manter uma rotina de exercício dentro de casa”, pontuou.

Em caso de acidente doméstico, a recomendação é procurar atendimento imediato, independente de parecer ‘apenas uma dorzinha localizada’. “Aconteceu uma queda, chama o serviço especializado ou procura uma emergência, até mesmo o chamado de um paramédico em uma ambulância para ajudar. Quanto antes tratar, melhor”, concluiu.