O homem acusado de jogar gasolina e incendiar a ex-companheira e os filhos dentro de casa foi denunciado formalmente pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) nesta quarta-feira (2). Waldevir Ferreira dos Anjos está sendo acusado pelos crimes de feminicídio e homicídio, já que despejou gasolina nos quartos dos filhos, de 4 e 9 anos de idade, segundo o documento.

 

(Foto: Marcelo Borges/Banda B)

 

O crime aconteceu na noite do dia 22 de julho, na casa da família no bairro Boqueirão. Waldevir é acusado de despejar um galão de gasolina pelo corpo da ex-companheira, pela casa e logo em seguida atear fogo, usando um isqueiro. Segundo a Polícia Militar (PM), na noite do crime, o suspeito teria fugido em um Celta prata assim que as chamas começaram.

A filha mais velha do casal teve queimaduras e foi socorrida ao Hospital Evangélico.

Para o MP-PR, o crime aconteceu por motivo fútil, já que a ex-companheira de Waldevir não tinha mais interesse de continuar no relacionamento, o que não era aceito por ele.

A assistência da acusação Edson Facchi Junior disse à Banda B que acredita na justiça. “Recebemos a notícia com muita naturalidade. Como a consequência de uma investigação criminal bem conduzida pela Delegacia da Mulher. A denúncia é de três homicídios qualificados na sua forma tentada, posto que o crime só não se consumou por motivos alheios à vontade do Waldevir. Estamos esperançosos de que a Justiça nesse caso se dará”, comemorou o advogado da família.

Outro lado

Em nota, o advogado de defesa de Waldevir Ferreira dos Anjos, Dr. José Igor Ogar, afirmou que recebeu com extrema preocupação a denúncia ofertada nos autos contra o cliente dele pela extrema inverdade ali lançada, que não condiz com as provas ou ao menos indícios de provas produzidas no inquérito policial, segundo ele. Segue nota na íntegra:

“A denúncia além de violar exigência legal de ser expositiva com relação aos fatos criminosos “com todas suas circunstâncias” (art. 41 do Código de Processo Penal), imputando-se ao acusado 3 tentativas e homicídio quando a própria vítima atesta em inúmeras vezes que ele havia desistido de atingi-la e teria ido para dentro de casa e lá se explodido”, diz o advogado.

O advogado ressaltou que a agente do ministério público errou e o escritório irá se pronunciar nos autos para que explique seus apontamentos ou os retifique, inclusive sob pena de incorrer na lei de crime de abuso de autoridade por dar início a ação penal por fatos contra quem sabe inocente.

“O processo penal, por si só, apesar de um instrumento legal e de direitos, já é um instrumento de constrangimento, se imposto a alguém que, ao longo de uma vida passa por problemas emocionais e atenta contra a própria vida, acaba sendo acusado de tentar matar os próprios filhos contra quem nada fez a não ser laborar física e mental pela sua subsistência digna e feliz”, informou a defesa.

Por fim, Ogar diz que a advocacia criminal é chamada a atender o reclame da verdadeira justiça, “quando as pessoas tituladas para tal cerram seus olhos e esperamos em Deus e na Justiça poder em breve alterar os termos do processo”, concluiu o advogado.