A chegada do coronavírus no Brasil causou diversos transtornos a todos os grupos da sociedade. A realidade também afetou profissionais do sexo que trabalham nas ruas das cidades e precisam da renda para sobreviver. Diante de tal fato, o Grupo Liberdade e o Grupo Esperança, que trabalham em prol da proteção destas pessoas desde maio de 1994, lançaram uma “vaquinha” online chamada ‘Puta Ajuda’, com o objetivo de arrecadação de fundos para garantir renda as mulheres que se prostituem.

Em entrevista à Banda B, a presidente do Grupo Liberdade Curitiba, Carmem do Rocio Costa da Silva, explicou que a inciativa surgiu no momento que as profissionais procuraram os grupos para pedir ajuda. Os relatos eram sobre a falta de dinheiro para pagar as hospedagens onde moram e proporcionar o sustento das famílias.

“Me falaram desta vaquinha e fui procurar. O objetivo é arrecadar fundos para ajudar, pelo menos, no básico do básico. Nós estamos vendo as profissionais que não podem ir trabalhar e estão desesperadas para que possam, ao menos, sustentar os filhos”, pontuou.

Carmem relembra a época que o mundo conheceu o vírus HIV. A presidente fez um paralelo importante com o inicio da década de 90. Naquele tempo, muitas pessoas morreram em decorrência do desconhecimento do perigo da doença.

“Quando surgiu o vírus do HIV, nós vimos estas profissionais morrerem na sarjeta, sem família e amigos, sem tratamento e orientação sobre o que era o vírus. A gente presenciou muitas coisas e vimos estes profissionais abandonados por todos, só esperando a morte chegar. Nós não queremos esta realidade de novo no Brasil”, pontuou.

A presidente explicou que muitas das profissionais trabalham no anel central de Curitiba e ressaltou que a ideia não foi só do Grupo Liberdade, mas também, do Grupo Esperança. O Grupo Esperança lida com as mesmas questões do Grupo Liberdade, mas, voltadas as pessoas cis e trans. As ONGs realizam orientações em temas como: prevenção, saúde com qualidade, direitos humanos, resgate da cidadania, preconceito e estigmas do trabalho.

 

Ao centro, de preto, a presidente Carmem do Grupo Liberdade. Na direita, Laisa, presidente do Grupo Esperança. A esquerda, duas funcionárias do Grupo Liberdade. Foto: Divulgação.

Carmem também mencionou que a preocupação não é apenas voltada para os profissionais que estão na rua.

“A minha preocupação é tanta com as mulheres que trabalham no anel central de Curitiba, mas, eu não posso deixar de falar com as outras que trabalham em casas de massagens, apartamentos e botes. A gente sabe que tem muitas casas que não pararam e obedeceram as normas dos profissionais de saúde para realizar o isolamento social”, pontuou.

A presidente aproveitou o momento para fazer o pedido de união de todos que se simpatizarem pela situação e afirmou que está disposta a lutar pela população de profissionais do sexo, visto que, não há apoio de outros grupos sociais pela promoção da causa em questão.

“Envolve toda uma nação, a população brasileira e também a nível mundo. Neste momento, independente de classe social, raça, cor e credo temos que unir forças para que tudo de certo e que a gente continue com o item mais importante que temos: a vida”, finalizou.

DOAÇÕES

A meta é arrecadar R$ 10 mil para comprar comida e garantir o isolamento dessas mulheres em lugares seguros. Quem quiser ajudar pode doar qualquer valor no site. Para isto, clique aqui.

Além disto, as doações de alimentos e kits de higiene pessoal podem ser feitas na sede do Grupo Liberdade. O endereço é na Travessa Tobias de Macedo, 53 – sala 04/2º andar, Centro de Curitiba.

Há também a possibilidade de fazer as doações na conta da ONG.

Banco: Caixa Econômica Federal

Agência: 0370

Conta: 17628