A greve dos Correios do Paraná tem nesta segunda-feira (24) uma adesão de 80% no Paraná, de acordo com o diretor da Secretaria dos Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Comunicações Postais, Telegráficas e Similares do Paraná (Sintcom-PR), Marcos Rogério Inocêncio. Em entrevista à Banda B, o sindicalista destacou que a maioria dos grevistas está na área operacional, responsável pela entrega de encomendas.

Movimento grevista em passeata nesta segunda-feira em Curitiba (Foto: Colaboração)

 

“A greve está muito boa na questão de adesão. Nossa contagem é de que 80% estão parados na área operacional. Ela há de ficar mais forte ainda, porque ainda aguardamos que a empresa converse com os trabalhadores”, disse Inocêncio. O Sintcom afirma que a categoria está sem Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) desde o dia 1º de agosto e, por isto, houve a paralisação.

Segundo Inocêncio, os funcionários dos Correios possuem o menor salário entre todas as empresas geridas pelo Governo Federal. “Pedimos apoio da população porque não estamos aqui por prazer. O salário de um carteiro gira em torno de R$ 1,3 mil. Não está fácil para a gente. Os serviços essenciais estamos liberando para entrega”, garantiu.

Sem prejuízo ao consumidor

A chefe do Procon-PR, Cláudia Silvano, disse à Banda B que a greve não pode prejudicar o consumidor. “Os fornecedores precisam arranjar alternativas para que o consumidor tenha um canal de acesso para que as contas não fiquem atrasadas. Em relação à entrega de produtos da internet, também se precisa de alternativas para que haja o minimo de atrasos ou nenhum. Isso não pode repercutir de forma negativa ao consumidor”, explicou.

Nota Correios

Sobre a greve, os Correios enviou a seguinte nota:

Direitos preservados – Com respaldo da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como das diretrizes do Ministério da Economia, a proposta dos Correios não retira nenhum direitos dos empregados. A proposta apenas promove adequações aos benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado.

Conforme amplamente divulgado, a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção sugeridas na proposta da empresa é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações das federações representativas do empregados, por sua vez, custariam quase R$ 1 bilhão à estatal – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.

Importante frisar que os vencimentos de todos os empregados também seguem resguardados. Os trabalhadores continuam tendo acesso ao benefício Auxílio-creche e aos tíquetes refeição e alimentação, em quantidades adequadas aos dias úteis no mês, de acordo com a jornada de cada trabalhador.

Estão mantidos ainda – aos empregados das áreas de Distribuição/Coleta, Tratamento e Atendimento -, os respectivos adicionais.

Os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. Isso significa também repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos.

Um movimento paredista agrava ainda mais a debilitada situação econômica da estatal. A instituição confia no compromisso e responsabilidade de seus empregados com a sociedade e com o país, para trazer o mínimo de prejuízo possível para a população.