Diante da mobilização iniciada nas redes sociais, ainda não é possível afirmar se uma greve de caminhoneiros realmente vai começar nesta quarta-feira (4). A paralisação não é consenso nem entre os líderes da categoria. A Banda B consultou, por exemplo, o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de São José dos Pinhais (Sinditac SJP), na região metropolitana de Curitiba, e a liderança dos caminhoneiros autônomos. Entre as duas lideranças, a posição é divergente.

Em 2018, paralisação reuniu milhares de caminhoneiros (Arquivo PRF)

De acordo com o presidente do Sinditac SJP, Plínio Dias, a greve será como a de 2018. “A adesão está sendo muito ampla e a nível nacional. Já temos informações de bloqueios espontâneos e a expectativa é de que o movimento ganhe corpo. Vamos tentar conscientizar para que os caminhões entrem nos postos e deixem os demais veículos circularem”, disse.

Por sua vez, o caminhoneiro autônomo Wanderlei Alves, que é mais conhecido como Dedeco, o governo tem mantido as portas abertas para a negociação, então uma greve no momento não tem sentido. “Tem gente que diz que a paralisação deveria acontecer para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF), mas se a votação foi adiada, por qual motivo vamos parar. Eu não consigo entender o pedido de paralisação”, comentou.

A votação no STF a que Dedeco se refere é a que trata sobre a validade da tabela de fretes. Marcado inicialmente para acontecer nesta quarta, 4 de setembro, o julgamento foi adiado e não tem mais data para acontecer. O relator do caso no Supremo, ministro Luiz Fux, atendeu a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e pediu a retirada de pauta do tema. Ações apresentadas ao Supremo contestam a lei do governo Michel Temer que instituiu a tabela com preços mínimos para o frete rodoviário.

Para Dedeco, com a tabela em vigor até a votação no STF, não há motivos para greve. “Sabemos que algumas empresas não pagam o valor, mas pelo menos a lei está em vigor. Estou avaliando que a paralisação será pontual e sem força”, afirmou.

Segundo Dias, os caminhoneiros estão se mobilizando em várias cidades e rodovias do Paraná para dar início à paralisação. “Ponta Grossa, Chopinzinho, Mangueirinha, Coronel Vivida, Londrina, todas as cidades que teremos paralisação”, concluiu.