Foto: Daniela Sevieri/Banda B

Não só contra os cortes na educação os manifestantes de Curitiba estão protestando, como também contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o projeto da reforma da Previdência.

Regina Cruz, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores do Paraná), foi uma a falar no caminhão de som que acompanha os manifestantes. “O governo Bolsonaro está colocando à venda a nossa petroleira do sul do país. A reforma da previdência é uma luta de quem já se aposentou, de quem tá no mercado do trabalho e precisa ser uma luta de vocês [estudantes]”, discursou.

“O Bolsonaro é um governo mentiroso e chantagista porque ele está dizendo que precisa aprovar a reforma da previdência para não cortar da educação. Se precisa de dinheiro da educação, que pare de pagar a dívida pública aos banqueiros e empresários que consomem 50% do orçamento”, declarou Mandi Coelho, ativista das lutas da juventude.

Izabela Marinho, presidente da União Paranaense dos Estudantes, também discursou contra os cortes da educação pública. “Cortar 30% do orçamento das universidades é cortar da nossa permanência, é cortar da nossa pesquisa”, disse.

Por volta das 10h30, os manifestantes saíram em caminhada do prédio da UFPR até o Centro Cívico, onde, em frente à Prefeitura Municipal, protestaram contra o atual prefeito Rafael Greca (DEM). Mesmo debaixo de chuva, o ato chegou a ocupar três quadras da Avenida Cândido de Abreu, principal via do bairro. Agora, os manifestantes seguem para uma concentração em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual.

Protesto dos metalúrgicos nesta quarta-feira na Grande Curitiba: Foto: Divulgação Sindicato dos Metalúrgicos

Metalúrgicos 

Nesta quarta, segundo o Sindicato do Metalúrgicos da Grande Curitiba, cerca de 20 mil metalúrgicos da Renault, Volkswagen, CNH, Bosch, Volvo, Brafer, Pic da Audi e de outras grandes empresas participaram da mobilização.  O movimento começou já nas primeiras horas da manhã e deve se repetir durante todo o dia nas entradas dos demais turnos.

O ato também vai intensificar a Greve Geral dos professores em resposta aos cortes na educação anunciados pelo Governo Federal na semana passada, quando foram bloqueados 30% das verbas de custeio das universidades e outros R$ 7,4 bilhões que afeta gastos previstos desde a educação infantil até os programas de fomento à pós-graduação.

“A educação pública é a base de tudo no Brasil e não podemos abrir mão dela! Hoje é ela quem atende mais de 90% de toda a população de todas as faixas de idade no país e cortar estas verbas significaria além de um retrocesso muito grande, também um prejuízo enorme para o nosso futuro”, destacou Sérgio Butka, presidente do SMC.

Praça Santos Andrade na manhã desta quarta – Foto Banda B

 

Os protestos também servem como um balão de ensaio para uma greve nacional dos trabalhadores, convocada por centrais sindicais para o dia 14 de junho.

Entenda os motivos

As manifestações desta quarta-feira ocorrem após o anúncio de cortes e bloqueios pelo ministério da Educação no governo Jair Bolsonaro.

Recursos para todas as etapas de ensino, da educação infantil à pós-graduação, foram reduzidos ou congelados. A medida inclui verbas para construção de escolas, ensino técnico, bolsas de pesquisa e transporte escolar.

O bloqueio total de despesas do MEC (Ministério da Educação) anunciado até agora é de R$ 7,4 bilhões. Nas universidades federais, chega a R$ 2 bilhões, o que representa 30% da verba discricionária (que não inclui salários, por exemplo).

Nesta terça-feira (14), Weintraub disse que não descarta novos bloqueios no orçamento da pasta após previsão de crescimento menor da economia.