O temporal de terça-feira (30), reflexo do ciclone ‘bomba’ que atuou em toda a região Sul do país, fez inúmeros estragos. O caso que você verá agora é de Matilde Miranda Ribas, de 54 anos. Matilde mora em uma chácara, na cidade de Mandirituba, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Lá, ela planta morangos. O dinheiro, resultado da produção, sustenta uma família composta pelo marido e a filha de 14 anos. Devido às chuvas, Matilde perdeu tudo. A família, entrou com a Banda B, para explicar o que aconteceu. Além disto, há uma vaquinha online disponível para arrecadação de fundos. O valor será juntado para a reconstrução da plantação.

A casa de Matilde é um chalé de madeira. Na terça-feira (30), para se proteger, Matilde e a família estavam no sub-solo da casa. Acompanhada da filha e do marido, ela já sentia medo. Conforme explicou à filha mais velha Maristela Miranda dos Santos à Banda B. “Neste dia, ela me ligou desesperada. Ela estava chorando, dentro do carro para se proteger. Ela já havia dito que o vento tinha levado tudo. O chalé ficou sem as telhas e com diversos estragos”, mencionou.

Maristela é diarista. Ela mora em Curitiba e é mãe de três filhos. Após está primeira ligação, Maristela conta que a chamada caiu porque houve a queda de energia em Mandirituba. Mas também não havia sinal de rede para o celular. Após este momento, e as chuvas acalmarem, a filha mais velha comentou que passou a madrugada tentando contato, sem sucesso. “Estava desesperada porque não sabia se ela estava bem. Se a casa tinha caído ou não. Fui falar com ela somente dois dias depois”, pontuou.

 

Local da estufa de Matilde. Totalmente destruída devido as fortes chuvas e o vento desta terça-feira (30). Foto: Colaboração

 

Os estragos

Foi na quinta-feira (02), que Maristela soube da gravidade da situação. A casa ficou sem o teto. Segundo a filha, a mãe é a única pessoa na família que poderia fazer algo para consertar o problema. O marido teve um AVC recente e ficou com a condição motora comprometida. Além disto, a filha mais nova não poderia realizar o concerto por não saber faze-lo. “Então, no outro dia ela subiu. Montou um andaime e foi pregar as telhas da casa. Ela tentou arrumar o que estava possível de ser feito”, contou.

Porém, o estrago maior estava na plantação de morangos. Este que é a única fonte de renda da família. “Depois que ela arrumou a casa, a minha mãe viu que a estufa com os morangos estava destruída. O vento levou toda a cobertura. As madeiras que davam sustentação a estufa foram quebradas. O trabalho que ela tinha feito, toda a plantação dela foi levada embora neste vendaval”, revelou.

Nenhum dos morangos pôde ser reaproveitado. O vento e a chuva forte desmanchou todas as frutas. “Os morangos são frutas sensíveis. Já com a chuva, ele ficaria contaminado. O vento veio e fez o estrago final”, disse Maristela.

Boa parte da plantação é vendida a uma fábrica de sorvetes artesanais. Com a pandemia, houve uma queda brusca na obtenção de receitas. O temporal de terça-feira (30), deixou toda a produção perdida e mais o estrago na estrutura que protege os morangos. “A gente estava fazendo a venda uma vez na semana. Eu agendava as vendas e trazia para Curitiba”, explicou Maristela.

Medo

Após conversar com a mãe na quinta-feira (02) e estar ciente dos estragos na residência e na estufa, Maristela revelou outras questões que podem ser agravadas. Segundo a filha, Matilde já passou por casos de depressão, tendo sido internada em uma oportunidade devido ao caso agudo do problema. A chácara não é apenas onde fica a residência e a fonte de renda de Matilde, e sim o remédio para esquecer dos problemas. “Quando ela foi para chácara, foi a maneira dela poder se curar. Foi a maneira que ela encontrou de mexer com a natureza e poder ocupar a cabeça”, mencionou.

O trabalho manual de lidar com os morangos, diariamente, foi a solução para o problema da saúde de Matilde. Para Maristela, a situação dos estragos na produção veio em um momento inapropriado. “Tem dias que ela acorda 05h da manhã e vai para dentro de casa, só quando está anoitecendo. Porque ela cuidava de tudo, sozinha. Ela fazia toda a limpeza do morango. Os regava todos os dias. Justo agora quando ela está bem, aconteceu isto. Então, eu tenho muito medo do depois. Do que pode acontecer”, comentou.

Vaquinha

Para ajudar a mãe e o marido, além da irmã de 14 anos, a família organizou uma vaquinha para arrecadar fundos. Maristela revelou que o custo da reforma de estufa é alto. “Só o plástico que cobre tudo o que foi arrancado. Está em torno de R$ 1.800. Fora o restante que ela vai ter que arrumar. Eu também tenho a minha irmã de 14 anos que mora com ela, e que depende dela. Sozinha, ela não tem condições de arrumar tudo aquilo”, concluiu.

Se você quer ajudar Matilde e sua família, clique aqui para acessar a vaquinha e contribua com qualquer valor.