As cinco famílias que perderam tudo durante incêndio no bairro Campo Comprido, em Curitiba, pediram ajuda na tarde desta quinta-feira (9) para tentar reconstruir suas vidas. A área fica localizada ao lado da Vila Santos Andrade e as vítimas não possuem cadastro junto à Companhia de Habitação (Cohab) da capital.

Foto: Marcelo Borges – Banda B

Mãe de quatro filhos, Sirlene de Fátima afirma que mora na região há 40 anos e foi uma das vítimas. Segundo ela, será difícil reconstruir tudo o que foi embora com o fogo. “Foi um grande susto e eu fiquei muito nervosa. Saímos correndo e vizinhos tentaram nos ajudar, mas não foi possível evitar as chamas. Felizmente, os bombeiros não deixaram que mais casas fossem atingidas. Perdi roupas, colchões, tudo”, lamentou.

Segundo a Prefeitura de Curitiba, a área foi mapeada como de risco no começo dos anos 2010. Um grande trabalho foi realizado para transferir pessoas entre os anos de 2013 e 2014, mas a região voltou a ser ocupada a partir de 2015.

Em entrevista à Banda B, a diretora de Relações Comunitárias da Cohab, Meiri Morezzi, explicou que a área é de proteção ambiental permanente e que, desde 2013, o trabalho de realocação é realizado no local. “Após a identificação da área, foi buscado recursos para a transferência de quase 300 famílias, mas por falta de documentação algumas permaneceram. Eu estive no local ontem, porque há uma preocupação especial nossa com 20 famílias que estão aguardando atendimento da Cohab, mas assim que cheguei, percebi que eram famílias novas. São casas construídas de 2015 para cá e que pegaram fogo em uma área particular. São pessoas que não possuem cadastro conosco e, por infelicidade, foram vítimas do incêndio”, explicou.

Apesar de as famílias não estarem cadastradas, Meiri Morezzi afirma que a Cohab não irá deixar ‘na mão’ as vítimas. “Nós orientamos que as pessoas venham até aqui para que possamos verificar a inscrição e orientamos que façam uma inscrição no Cras [Centro de Referência da Assistência Social]. Porque assim, nós não temos como providenciar uma casa imediatamente. Essas pessoas manifestaram a vontade de reconstruir no local, então poderão fazer um pedido de kit moradia. Nosso apoio agora é com toda a orientação e, claro, tendo a possibilidade de programa de atendimento, iremos fazer”, disse.

Incêndio

Segundo testemunhas, a origem do incêndio pode ter sido um problema na fiação elétrica.

A moradora de uma das casas incendiadas, Amarilda Santana Siqueira, contou que a única coisa que eles conseguiram salvar foram os documentos.“Queimou tudo, só salvei os documentos. Minhas filhas estavam sozinhas na casa quando o fogo começou. Todo mundo saiu correndo. Graças a Deus ninguém se machucou. Me falaram que foi fio elétrico, mas também tinha um homem com um isqueiro na mão aqui dizendo que ele tinha colocado fogo. Mas não podemos confirmar nada ainda”, contou.

Em uma das cinco casas, cinco gatos morreram por terem ficado presos. O Corpo de Bombeiros ainda conseguiu socorrer um cachorro que estava preso.

Ajuda

Ninguém ficou ferido, mas as famílias perderam tudo o que tinham. Para ajudar os moradores, Amarilda deixou o telefone para contato: (41) 99820-8970.