Cerca de cem famílias que invadiram um grande terreno na Avenida das Senzalas, na região do bairro Cachoeira, Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba, em julho desse ano, terão de deixar o local após decisão judicial. O prazo para que todos saiam do terreno terminou nesta semana e os moradores dizem que não tem para onde ir. Mesmo assim, a reintegração de posse deve ocorrer nos próximos dias.

 

Foto: D/M Banda B

 

No local, há dois terrenos que juntos somam cerca de 15 mil metros quadrados. As famílias invadiram e iniciaram demarcações na área no início do mês de julho.

 

Foto: D/M Banda B

 

Há quase dois meses vivendo em uma barraca com os filhos, Elizabeth dos Anjos disse que o local vive no abandono por parte dos proprietários. “Eu fui despejada e estou aqui com as crianças igual muita gente. Não conseguimos pagar aluguel por causa dessa pandemia, mas agora estão querendo usar a força para tirar a gente daqui. Era um terreno abandonado e só tem famílias que precisa, mesmo. Estamos desesperados porque se tirarem a gente daqui, nós vamos para onde? Que venham negociar aqui, não queremos nada de graça, que venham conversar com a gente e negociar uma parcela que cabe no bolso de cada um”, disse ela.

 

Foto: D/M Banda B

 

Uma casa antiga de alvenaria que fica dentro do terreno é de Julio Cesar, que mora há 30 anos no local. “Eu moro aqui há muito tempo e nunca apareceu ninguém, era um depósito de lixo, a piazada entrada aqui pra usar droga, rede de esgoto aberta, gente que assaltava vinha se esconder aqui. Sempre foi abandonado. Construímos aqui nossa casa, fizemos quintal. Vamos tentar regularizar tudo, agora”, contou à Banda B.

 

Foto: D/M Banda B

 

A reintegração de posse de um dos terrenos foi expedida pela Justiça do município, onde vivem atualmente cerca de 40 famílias. Todos os pedidos de contestação da defesa das famílias foram negadas.

 

Foto: D/M Banda B

 

Abandono

Segundo a advogada Stephany Justus Vargas de Oliveira de Jesus, que representa as famílias, não há um planejamento sobre o futuro dos moradores do terreno, caso se cumpra a reintegração de posse.

“Destaca-se, que o Ministério Público, Defensoria, Estado do Paraná e Município de Almirante Tamandaré sequer foram intimados da presente demanda, sequer existe um plano para auxilio a essas 57 famílias caso realmente deixem o imóvel, agravando a vulnerabilidade delas em plena pandemia da covid-19”, diz a nota.

Outro lado

A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Almirante Tamandaré e recebeu a informação de que a área em questão é particular e pertence à família Pampuche.

“A família Pampuche entrou com reintegração de posse através dos meios legais a qual foi concedida pela justiça. Infelizmente as famílias terão que deixar o local por conta de uma medida judicial. A prefeitura de Almirante Tamandaré está à disposição através da sua Secretaria de Habitação para colocá-los numa lista de espera em empreendimentos como Minha Casa Minha Vida e COHAPAR ou outros meios legais”, finaliza a nota enviada à Banda B.

A Banda B também entrou em contato com os proprietários do terreno. Em nota, A advogada Isabella Bonfim, que é representante legal da proprietária Isabel Pampuche, disse que o processo de imissão na posse que tramita em face
dos invasores em julho adentraram ilegalmente aos terrenos de propriedade da família Pampuche.

Confira a nota na íntegra:

Esclarece que todas as medidas estão sendo tomadas conforme previsto em lei, não sendo praticado nenhum tipo de abuso contra as pessoas que se encontram no local. Em tempo, informa-se ao Portal da Banda B que os terrenos não estavam abandonados e que inclusive os pagamentos dos impostos (IPTU) estão em dia.

Ainda, ressalta que os terrenos invadidos estão em inventário e por esse motivo a família Pampuche ainda não realizou obras no local.

Nesse momento, fazemos um alerta de que há uma pessoa que participou da invasão dos terrenos e os demarcou em pequenos sublotes com o intuito de vendê-los ilegalmente a terceiros.

Por fim, foi concedido um prazo de 10 (dez) dias para os invasores desocuparem amigavelmente os terrenos.

Infelizmente, optaram por permanecerem no local e agora serão obrigados a saírem da propriedade privada da família Pampuche.