Atualmente, linha segue do Terminal Santa Cândida à Praça do Japão (Foto: Divulgação SMCS)

 

Ao fazer a entrega de seis novos biarticulados para o sistema de transporte coletivo de Curitiba, o prefeito Rafael Greca criticou o Governo Federal por conta da demora na liberação da verba para a conclusão das obras de desalinhamento na Avenida República Argentina. Prevista para março deste ano, a obra é importante para a extensão do ligeirão, que passaria a fazer o trajeto entre os terminais Santa Cândida e Capão Raso, como previsto originalmente.

Em entrevista coletiva, Greca afirmou que está esperando Brasília “começar a funcionar” para poder fazer a conclusão. “O dinheiro está previsto e garantido na Caixa [Econômica Federal], mas é preciso que o Ministério das Cidades libere a verba. Na hora que Brasília disser sim, Curitiba começa a trabalhar”, afirmou.

Greca ainda falou sobre o atual estado de conservação da Avenida República Argentina e disse que será necessária uma obra paliativa na via. “Tá feia a canaleta, tivemos um verão muito pesado que levantou calombos. Então nós vamos ter que agir paliativamente até que Brasília solte o dinheiro. Mas, se Brasília não funcionar, eu já tenho um projeto no BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] de R$ 600 milhões de dólares acertado e vou até Washington buscar o dinheiro. Faço como no meu outro governo, finjo que Brasília não existe”, disse.

Em julho do ano passado, a Prefeitura de Curitiba anunciou ter R$ 15 milhões aprovados para o novo trecho, em recursos do Orçamento Geral da União (OGU). Para o funcionamento desta segunda etapa, serão desalinhadas as estações-tubo Silva Jardim, Dom Pedro I, Morretes, Carlos Dietzsch e Itajubá.

Bilhetagem

Questionado sobre o estudo do Programa de Pós-graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que diz que a integração tarifária temporal poderia reduzir em até 55% os deslocamentos, Greca condicionou a possibilidade futura à implantação da bilhetagem eletrônica em toda a cidade. “Quando tivermos a bilhetagem automática, vamos poder fazer isso e temos vontade de fazer isso. Queremos fazer também tarifas diferenciadas em percursos regionais, como por exemplo entre ruas da cidadania. Quero que a Câmara aprove a bilhetagem, sem demitir os cobradores, mas com requalificação. É um atraso manter a gaveta de dinheiro”, concluiu.

Hoje, o sistema do transporte coletivo de Curitiba conta com integração física, através de terminais e estações-tubo, o que não inclui outros pontos e todas as linhas, trazendo prejuízos ao usuário.  Uma mudança para uma integração temporal reduziria em média 25% tempo de deslocamento de ônibus, chegando a 55% em alguns casos. A pesquisa foi baseada em dados de viagens realizadas com transporte coletivo por ônibus publicados em estudo de origem-destino realizada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). O estudo é focado na escolha de rotas pelos usuários para mais de 5 mil viagens.