Há meses não se vê uma chuva pra valer. Os principais rios que abastecem Curitiba e região metropolitana estão com as margens baixas e o fundo à mostra. É a maior seca dos últimos 42 anos e os mananciais dos municípios metropolitanos atuam no protagonismo de uma importante discussão – o uso do solo na preservação dessas fontes de água.

 

Passaúna, um dos principais rios que abastecem Curitiba e região metropolitana. Foto: Divulgação Sanepar

 

Por ser o berço dos mananciais, a região metropolitana vive impacto real no aumento populacional e crescimento urbano. O presidente da Coordenação dos Municípios Metropolitanos (Comec), Gilson Santos, enxerga que é preciso controle para preservar essas nascentes. “Temos um papel importante que é controlar uso e ocupação do solo, automaticamente, também está tratando da questão da preservação dos mananciais, que é algo muito falado e de interesse público, já que são fontes de água que abastecem Curitiba toda e os municípios metropolitanos”, acredita.

 

Presidente da Comec, Gilson Santos, em entrevista ao Jornal Metropolitano, na Banda B. Foto: Banda B

 

Segundo o presidente, a pressão por uso de solos é constante, fazendo com que leis de proteção sejam debatidas para um crescimento ordenado. “Por meio das nossas leis estaduais e federais, a Comec trabalha para que essa pressão pela ocupação seja de forma planejada. Ao longo dos anos foram adotados conceitos de gestão do uso e ocupação do solo, principalmente em relação aos mananciais. A partir do momento em que se amplia o adensamento populacional nas cidades você vai precisar de um maior abastecimento – como água, energia, vai produzir mais resíduos. Tem que monitorar para que esse crescimento não ocorra justamente em áreas de mananciais e preservação, se isso ocorre estamos matando essas áreas e excluindo o potencial de abastecimento de água  que elas poderão oferecer”, descreveu à Banda B.

Rios

Os principais reservatórios que abastecem Curitiba e região metropolitana estão atuando com apenas metade da sua capacidade, em média. Isso ocorre meses antes de período que antecedem falta de chuva, como explica o especialista em sustentabilidade e o professor do mestrado do ISAE, Cleverson Andreoli.

Especialista Cleverson Andreoli. Foto: EJ/Banda B

 

“Essa seca muito forte está causando uma grande redução da vazão dos rios. O problema é que eles estão assim em um momento que deveriam estar com sua capacidade máxima porque agora era o período que tinha que estar chovendo. Ou seja, vamos entrar em um período forte de estiagem, com os reservatórios já muito baixos”, alerta.

Efeito

Entre inúmeras consequências, Andreoli cita que a qualidade da água ofertada poderá sofrer intercorrências. “Quando se tem baixa vazão, há uma piora na qualidade da água, decorrente de que os efluentes industriais e domésticos e a própria contribuição da poluição da agricultura são constantes, continuam os mesmos. Se você tem uma vazão menor em um rio, você tem menos água para diluir uma quantidade de poluentes que continua igual. Nisso, há necessidade de usar mais produtos químicos para conseguir manter o padrão da água, ou seja, pode implicar em aumento”, finaliza o especialista.