Alunos e professores do Instituto Buchman, escola de inglês que funcionava no bairro Água Verde, em Curitiba, estão no prejuízo com o fechamento repentino da instituição. A escola funcionava até início da semana, mas fechou as portas e comunicou professores e alunos por um e-mail, nesta quinta-feira (16). Para eles, o sócio-administrativo, dono da empresa, Joachim Jose Riedel, afirmou não ter dinheiro para arcar com ressarcimentos de mensalidades pagas adiantadas e nem salário atrasado dos cerca de 30 professores. A Banda B entrou em contato com a empresa e ainda não teve retorno.

 

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Ao escolher a escola para aprender inglês, Renato Gemniczak efetivou a matrícula em março e participou da primeira semana de aula. “Já na primeira semana eles falaram que iam passar para aulas online por causa da covid-19. Até aí tudo bem, começamos a fazer as aulas. Depois de um tempo, enviaram mensagem de que a secretaria estaria fechada por conta do covid-19. Aí ontem, o professor ligou individualmente pra nós dizendo que tinha recebido um e-mail da escola dizendo que ela estava encerrando as atividades”, conta, em entrevista à Banda B.

Renato parcelou o curso via cartão de crédito e agora está tentando cancelar diretamente em seu banco. “Mas, tem gente que pagou à vista, que pagou dois semestres inteiros. Tem gente que está com R$ 10 mil de prejuízo”, alerta.

Professores

Além da ausência de ressarcimento, professores alegam que a escola também não arcou com despesas trabalhistas. O professor Raphael Laport disse que o salário passou a atrasar no ano passado, mas que desta vez notou delonga nas repostas do financeiro.

“A gente vinha recebendo salário atrasado desde outubro do ano passado. Às vezes demorava dez, quinze dias e a gente esperava. Mas dessa vez a gente sabia que estava sendo diferente, eles falavam uma data e não cumpriam, não davam retorno, não pagavam. Durante esse tempo, houve a desconfiança”, diz ele à Banda B.

A suspeita ganhou força quando equipamentos, eletrodomésticos e móveis passaram a ser retirados na escola, na última semana. “Eles nos disseram que na sexta-feira fariam um comunicado importante e apenas isso. Enviaram um e-mail falando sobre o fechamento, que iriam conversar com um a um, para negociar, mas não falaram nada aos alunos. Nisso entendemos que se trava de um calote”, descreve o professor.

Outro professor, Georgios Karagkounis, disse que estava tão focado nas aulas online, que não pensou que algo estava sendo planejado. “O método online funciona muito bem, os alunos estavam animados, nós também. Jamais pensamos que eles estavam planejando isso”, finaliza ele.

Cara a cara

Na tarde de ontem, professores e alunos se reuniram na sede da escola para cobrar um posicionamento e, principalmente, reembolsos e salários. “Fomos barrados na porta, não deixaram a gente entrar, estavam esvaziando a escola. O dono da escola foi chamado e disse que não tinha dinheiro para devolver a ninguém. Chegou a pedir que a gente continuasse as aulas até que ele conseguisse arranjar dinheiro, ou seja, queria que a gente trabalhasse de graça”, conta Raphael.

Em uma rápida conversa, os professores disseram que Riedel tinha aceitado uma permuta com parte deles – troca de móveis, equipamentos para abater no valor do salário – mas que depois teria recuado. “Mandou mensagem dizendo que sim, depois voltou atrás. Puro calote, soubemos que já fez isso no passado com outra escola de inglês”, alega o professor.

Internet

Em um site específico de reclamações, o Instituto Buchman possui diversas mensagens de insatisfações. Desde o fechamento da escola até a ausência de retorno há cerca de um mês. Em dezembro do ano passado, há mensagens de alunos sobre ausência de reembolso ao trancar a matrícula.

Polícia

Os alunos e os professores procuraram a polícia e um Boletim de Ocorrência (BO) já foi confeccionado. Por ora, a Delegacia do Consumidor ficará responsável por investigar o caso.

Resposta

A Banda B entrou em contato com o Instituto Buchman via telefone, WhatsApp e email, no entanto, ainda não obteve retorno.