Após lideranças dos servidores públicos do Paraná desmentirem a nota do governador Ratinho Junior publicada nesta sexta-feira (12), ao afirmar que a paralisação só se encerraria após assembleia entre os sindicatos, o secretário de Comunicação do governo, Hudson José, reassegurou a posição do Executivo, de que todas as exigências foram atendidas e que, por esse motivo, não há mais greve no Paraná.

Na tarde de segunda, categorias fizeram ato no Palácio Iguaçu (Foto: Banda B)

“Tivemos esse entendimento de que [a greve] acabou. O estado fez esforço em todas as áreas, com austeridade nas contas públicas, e conseguimos chegar a um ajuste que permite a possibilidade dos servidores receberem 2% de reajuste na data-base a partir de janeiro, dois meses antes que o especulado anteriormente”, disse o secretário, em entrevista à Banda B.

Hudson José também salientou a ‘grave situação financeira do estado’, “com a queda de arrecadação e a sonegação de quase 700 milhões de reais no IPVA”. De acordo com ele, a proposta de reajuste foi discutida com as lideranças da Assembleia Legislativa e encaminhada aos servidores pelo interlocutor do governo, o deputado Hussein Bakri.

“Não fizemos mais reuniões com a APP, só internamente no Governo. Mas nos foi confirmado de que isso foi repassado às lideranças sindicais e de que houve um entendimento entre as partes”, contou.

Hudson considerou uma ‘formalidade’ a realização de uma assembleia entre os servidores, para que o decreto do fim da paralisação seja oficializado. “Essa é uma questão formal. O importante é que houve um acordo entre as bases sindicais e o governo e, com isso, está encerrada a greve”.

A polêmica

O presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, rebate a divulgação do governo e afirma que o fim da greve só pode ser definido em assembleia. “As greves, depois de instaladas, só são encerradas em assembleia de cada categoria. Nós não chegamos nem a receber o documento com as propostas do governo. Somente a partir disso, que cada categoria avalia com suas bases. O direito de greve é assegurado e não é a direção do sindicato ou o patrão que encerra a paralisação”, afirmou.

Leão ainda criticou a comunicação do governo do estado. “Não temos como reconhecer uma posição assim como oficial. Essa gestão da comunicação com os servidores é que causa desgaste. Eles poderiam ter nos chamado e entregado o documento. A lógica está invertida”, disse.

Na nota divulgada, Ratinho Junior reafirmou que o Estado está fazendo um grande esforço para honrar o compromisso de implantação da data-base. “O governador lembra que houve queda do PIB no primeiro trimestre, além de redução de receitas de impostos e de transferências federais neste ano. Somente o IPVA contabiliza inadimplência de R$ 700 milhões”, diz a postagem.

Com a formalização da proposta, os professores deverão fazer a reposição de aulas na rede estadual. Segundo o governo, o trabalho deverá ser realizado durante o período de recesso escolar. Caso não haja reposição de horas e aulas, haverá aplicação de faltas, com desconto em folha dos dias parados.

Concursos

A proposta apresentada pelo governador confirma a realização de concursos públicos para seleção de 2.560 policiais militares, 400 policiais civis (50 delegados, 50 papiloscopistas e investigadores), 96 peritos e médicos para a Polícia Científica, 1.269 agentes de cadeia, 400 profissionais da Saúde, 80 para a Agência de Defesa Agropecuária e 988 professores.

Também foram previstos concursos para contratação de servidores para o Quadro Próprio do Poder Executivo (QPPE), que inclui profissionais para a Administração Direta, para o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e para o Teatro Guaíra.