Profissionais de saúde das UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) Shangrila e Praia de Leste, em Pontal do Paraná, no litoral do estado, se mobilizaram e promoveram uma paralisação na noite desta segunda-feira (11). Eles reclamam do não pagamento de salários, de jornadas exaustivas de trabalho e da falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) desde o início da Operação Verão, há quase um mês.

A enfermeira Joyce Nunes, contratada para a temporada, explicou em entrevista à Banda B que a maior parte dos profissionais vêm de outros lugares do estado e estão sendo obrigados a comprar o próprio material de proteção. “A maioria é de Curitiba, tem gente que veio de outras praias para cá, e fomos contratados para a Operação Verão. Porém, desde o início da operação não recebemos nossos contratos, estávamos atendendo casos de Covid-19 sem máscara, sem luvas ou avental e toucas”, relatou ela.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Nesta segunda-feira, os profissionais teriam sido informados que não vão receber o pagamento deste mês. Alguns deles estariam enfrentando jornadas de trabalho de mais de 72 horas.

“Não estamos tendo retorno, por isso estamos procurando a mídia. Temos um grupo da empresa, porém é sempre um ‘vamos providenciar’, ‘os contratos vêm amanha’, ‘o pagamento vai cair’, e isso está se estendendo, e estamos trabalhando na incerteza, por isso falei que iríamos parar”, afirmou a enfermeira.

Respostas

Em nota, o Governo do Estado disse que repassou R$ 5,2 milhões para a Operação Verão Consciente, porém cabe às prefeituras fazer a gestão de pessoal. Leia a nota na íntegra:

“O Governo do Estado repassou R$ 5,2 milhões para a Operação Verão Consciente. Os recursos asseguram a contratação de equipes (médicos e enfermeiros), que reforçam o atendimento dos veranistas na estrutura de saúde das praias do Paraná. Cabe às prefeituras, por meio do Consórcio Intermunicipal do Litoral (Cislipa), fazer a gestão de pessoal.

Dos valores direcionados para a Operação Verão Consciente, R$ 4,5 milhões foram destinados para a contratação de plantões pelos municípios e R$ 780 mil para apoio na compra de materiais e equipamentos de proteção individual.”

A Prefeitura de Pontal do Paraná também foi contatada pela reportagem da Banda B e respondeu que os contratos dos profissionais de saúde são terceirizados através do Cislipa. “Assumimos a gestão com diversas dificuldades na parte estrutural e de insumos, bem como na fiscalização dos contratos. Estamos cobrando as empresas, neste caso o Consórcio, para que cumpram o disposto no contrato, que é o fornecimento dos profissionais na área da saúde”,  disse o atual prefeito, Rudão Gimenes.

Por sua vez, a diretora executiva do Cislipa, Everllin Dina de Camargo Guiguer, afirmou que o pagamento dos profissionais é responsabilidade da empresa terceirizada que os escalou e que o órgão seria responsável apenas pela complementação de pessoal. “Quanto ao pagamento, informamos que temos um contrato de prestação de serviço, onde os profissionais são escalados pela empresa contratada, onde não há no que se falar em atraso de pagamento por parte do Cislipa, uma vez que o contrato de prestação de serviço prevê a emissão da nota fiscal após trinta dias de prestação de serviço. Desconheço as demais informações, como disse, fazemos a complementação de pessoal na estrutura que já existe”, pontuou a diretora

A Banda B tentou contato com a empresa terceirizada para a prestação de serviços nas UPAs, mas até o momento não obteve resposta.