Foto: SMCS

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) defendeu, nesta quinta-feira (1), o projeto de lei da prefeitura que pode implantar a bilhetagem eletrônica em toda a cidade. De acordo com a entidade, a proposta dá mais eficiência ao sistema e traz mais segurança, já que retira a circulação de dinheiro de dentro dos coletivos. Os trabalhadores criticam a medida e falam que seis mil cobradores podem perder o emprego com a aprovação.

 

Em nota, o Setransp informou que é de seu interesse o novo modelo. “A ideia é modernizar o sistema e dar mais eficiência e controle quanto à cobrança de passagens, a fim de proporcionar mais rapidez nos embarques e oferecer novas funcionalidades em benefícios dos passageiros. Além disso, a nova bilhetagem trará mais segurança ao transporte coletivo, pois o pagamento da tarifa se dará por meio da utilização de cartão eletrônico, retirando a circulação de dinheiro de dentro dos ônibus e, com isso, reduzindo a ocorrência de assaltos, que tantos transtornos têm causado à população”, informou a entidade.

As empresas ainda falaram da preocupação com a demissão dos cobradores e afirmou que a Convenção Coletiva de Trabalho 2018/2019 garante a estabilidade de cobradores por 12 meses e oferece a oportunidade de requalificação dos profissionais, o que já vem fazendo em parceria com o Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte). “Causou estranheza ao Setransp que, nos últimos dias, tenham surgido rumores de que o Sindimoc [Sindicato dos Motoristas e Cobradores] poderá realizar assembleia geral na próxima quinta-feira (8) para votar indicativo de greve. Se isso vier a se confirmar, o Setransp vê essa situação com perplexidade, uma vez que está cumprindo com o que foi acordado na Convenção Coletiva: garantindo estabilidade por 12 meses, dando ciência aos trabalhadores e disponibilizando a requalificação. Até o momento, cerca de 2,5 mil cobradores demonstraram interesse nos 57 cursos oferecidos pelo Senat”, conclui nota do Setransp.

Após a apresentação do projeto, o Sindimoc criou a campanha “Somos Todos Cobradores”, para pedir que o projeto não seja aprovado. A possibilidade de greve geral para defender a categoria começou a ser ventilada ontem e uma assembleia foi marcada nesta quinta-feira (1).

Projeto

O projeto encaminhado à Câmara Municipal prevê a implantação da bilhetagem eletrônica em toda a cidade, assim como atualmente já acontece nos micro-ônibus, onde não há cobrador. O objetivo da Prefeitura de Curitiba é a alteração da lei municipal 10.133/2001, que regulamenta a exigência de cobradores nas estações-tubo, terminais de transporte e no interior dos ônibus.

Na justificativa, o prefeito Rafael Greca diz que a alteração é para “trazer maior agilidade ao transporte público”. Outro ponto citado são os constantes assaltos nos ônibus. “Os dados demonstram que os cobradores são alvo de roubos e violência, bem como o patrimônio público acaba sendo objeto de vandalismo e depredações”, diz a proposta, concluindo que a alteração reduziu em mais de 90% dos assaltos em coletivos.