Dezenas de pessoas se reuniram, na tarde desta sexta-feira (20), em frente a uma das lojas da rede de supermercados Carrefour, no bairro Parolin, em Curitiba. Os manifestantes pediram justiça pela morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, que foi espancado por dois seguranças na noite desta quinta-feira (19), em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Um novo ato foi marcado para acontecer neste sábado (21), a partir das 10h, no mesmo local.

 

Foto: Colaboração

 

O trágico episódio que terminou com a morte do homem negro aconteceu às vésperas do Dia da Consciência Negra. Vídeos que mostram a vítima sendo espancada circularam pelas redes sociais durante esta madrugada e, além de gerar revolta, causou uma intensa mobilização para que ocorressem os protestos ao longo desta sexta-feira.

Na capital paranaense, o ato foi organizado pelo coletivo CWB Resiste e por um dos novos vereadores de Curitiba, Renato Freitas. O evento intitulado “Ato de Boicote ao Carrefour – Justiça para Beto” teve mais de 3 mil confirmações de comparecimento e a concentração se iniciou às 14h. Na página, a organização escolheu uma frase do ativista político Martin Luther King Jr. para expressar o sentimento de revolta: “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”.

Foto: Colaboração

Além disso, orientações foram repassadas ao público para evitar o contágio da Covid-19. Entre elas, haviam recomendações de não irem ao ato aqueles que tiveram sintomas ou contato com alguém que foi diagnosticado com o novo coronavírus; o uso constante de máscaras e álcool em gel; evitar ter contato físico com muitas pessoas; e atenção ao distanciamento social.

 

 

Morte

João Alberto, um homem negro, foi espancado e morto por dois seguranças do hipermercado Carrefour, na noite da última quinta-feira (19), em Porto Alegre, na capital do Rio Grande do Sul. Ele morava em uma comunidade na Vila Farrapos, na zona norte da cidade. Entre os autores do assassinato, havia um policial militar temporário.

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A confusão entre os funcionários do estabelecimento e a vítima teria começado após um desentendimento. Ele ainda estaria com a esposa no supermercado. Durante as agressões, Beto, como era conhecido, foi imobilizado pelos vigias, com o joelho de um deles nas costas.

No final da tarde de hoje (20), o laudo da necropsia de João apontou que ele morreu por asfixia.

A Polícia Federal informou que suspenderá a carteira nacional de vigilante de Magno Braz, um dos envolvidos na morte do autônomo. Ele e Giovane Gaspar da Silva, o outro segurança que aparece nas imagens, foram presos em flagrante e serão indiciados por homicídio triplamente qualificado.

Racismo

O debate acerca da morte de João Alberto envolvendo o racismo dividiu opiniões na internet. A delegada Roberta Bertoldo, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, que investiga o caso, disse não ter visto indícios de se tratar de um caso de racismo, o que gerou revolta entre alguns internautas.

“João Alberto Freitas tinha 40 anos de idade e uma vida inteira pela frente… O racismo desumaniza, mata, leva os nossos e deixa a gente se perguntando o quanto eles ainda realizariam. O racismo além de tudo ceifa as nossas possibilidades”, escreveu um jovem no Twitter.

Foto: Reprodução/Twitter

O presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) também se manifestou nas redes sociais e comentou sobre o racismo: “Em nome da Câmara dos Deputados, envio meus sentimentos à família e aos amigos de João Alberto Silveira Freitas. A cultura do ódio e do racismo deve ser combatida na origem, e todo peso da lei deve ser usado para punir quem promove o ódio e o racismo”.