“Ele era uma pessoa extraordinária, tinha um coração gigante como pai, marido, amigo e companheiro de trabalho”. É desta forma como Gislaine Castilho descreve o marido que chegou a realizar dois partos em um período de quatro dias no mês de agosto deste ano. Erlon Pimentel, de 34 anos, era socorrista do Samu e foi mais uma vítima da Covid-19. Nesta sexta-feira (9), em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, familiares e amigos se despediram do trabalhador que tinha grande paixão pela profissão.

“Não tinha quem não gostasse do Erlon, quem não se divertisse ao lado dele. Creio que Deus tenha o chamado justamente por ter esse coração Deus escolhe pessoas boas para ficarem ao seu lado”, disse Gislaine durante entrevista à Banda B.

Foto: Colaboração

Pimentel estava internado no Hospital e Maternidade São José dos Pinhais desde o dia 7 de setembro. No dia 8, ele teve de ser levado a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido ao seu quadro de saúde. Porém, morreu nesta quinta-feira (8), cerca de 30 dias depois de dar entrada ao hospital.

O emocionante cortejo do socorrista foi feito por ambulâncias durante a manhã desta sexta-feira (9).

Segundo Castilho, Erlon era mais do que um marido, era seu melhor amigo. “Somos amigos de uma vida inteira. Nos conhecemos na igreja quando tínhamos 11 anos. Estávamos juntos haviam 14 anos e durante todo esse tempo construímos uma história de cumplicidade”, disse após descrever que o marido era um grande devoto de Nossa Senhora Aparecida.

A vítima deixa a esposa, família, amigos e uma filha, de apenas 4 anos: a Laura.

Foto: Arquivo Pessoal

“A Laura vai fazer quatro anos em dezembro. Foi uma filha muito planejada, desejada, e sonhada. Foi muito amada por ele. Tem muito amor por esse pai e acredito que ele vai me consolar e me ajudar a dar continuidade aos projetos que tínhamos”, afirmou emocionada.

“Ele amava a profissão”

Gislaine, em seu forte relato, descreveu o amor que Pimentel sentia pela profissão. De acordo com ela, foram 10 anos como servidor público em São José dos Pinhais e outros 10 prestando serviço ao Samu, em Curitiba. “A profissão era a paixão dele. Fazia com amor, dedicação, não poupava esforços e se doava totalmente”, disse.

Reflexo deste grande sentimento pela atuação em salvar vidas são os partos que Erlon realizou no mês de agosto. À época, em entrevista à Banda B, o socorrista descreveu como foi realizar dois partos em um período de quatro dias na região metropolitana de Curitiba.

Partos

O último nascimento registrado por Erlon foi em 11 de agosto, no bairro Costeira, em São José dos Pinhais. Neste dia, a equipe do socorrista foi acionada para prestar apoio a uma gestante que teria acabado de entrar em trabalho de parto. Era a pequena Vitória vindo ao mundo.

Foto: Colaboração

Em entrevista, ele falou sobre a satisfação de prestar esse tipo de atendimento: “A vida é um dom de Deus. Essas vidas que nascem em meio ao nosso cenário nos dão esperança de que dias melhores virão. A satisfação de participar de um nascimento é grande, ainda mais quando fazemos algo que gostamos. Fico muito orgulhoso e agradeço a Deus por meu trabalho. Vidas que florescem e nascem em meio a uma pandemia trazem esperança”.

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