A presidente do ShindiShooping (Sindicato dos Lojistas do Comércio Estabelecidos em Shopping Centers de Curitiba), Carolina Assis, classificou como ‘um absurdo’ o fechamento de quatro shoppings da capital sob a alegação de que estavam descumprindo as regras da quarentena. Foram autuados o Pátio Batel, Crystal, Mueller e ParkShoppingBarigui, porque segundo a Prefeitura de Curitiba o decreto determina, entre outras medidas, a suspensão de funcionamento dos shopping centers. A denúncia, confirmada pela vigilância, era de algumas lojas estavam fazendo atendimento via delivery, take away ou drive-thru, que também estão proibidos.

(Foto: Divulgação)

 

Em entrevista à Banda B nesta quarta-feira (8), Carolina Assis disse que proibir o serviço de delivery é um absurdo. “E as lojas que estão trabalhando com delivery, como vão controlar isso? Não tem como controlar. As pessoas compram pelo Instagram, pelo Facebook, aí entra só um motoqueiro no estabelecimento, pega o pedido e sai para entregar. E isso não é permitido? É um absurdo”, afirmou.

De acordo com a presidente do Sindishopping, algumas lojas entregam com sacolas nas casas das pessoas. “Tudo está fechado: lojas, restaurantes, shoppings, não tem ninguém circulando ou comendo nestes locais. Agora, os restaurantes não podem entregar um produto para um motoqueiro levar na casa de alguém, mas o de rua pode operar? Qual é a diferença? Por que essa falta de isonomia?”, questionou.

Carolina ainda questionou a efetividade do novo decreto, o qual apontou ser um exagerado. “Vão fechar shoppings e lojas de rua, mas não vão aumentar o número de ônibus para evitar que as pessoas fiquem aglomeradas, e também não vão aumentar a fiscalização em supermercados e em bancos – que são serviços essenciais e que precisariam da máxima atenção. Não são pequenas lojas que causam o problema, com um cliente entrando de cada vez”, argumentou.

Para defender a sua tese, a representante de lojistas usou o velho continente como exemplo. “A Europa não está com horários reduzidos. Mesmo a Itália abre em horário normal. E não é porque estão sem casos, é porque eles viram que não adianta reduzir o tempo, porque isso aumenta, não evita aglomerações”, ponderou.

A lojista ainda lamentou que muitos empresários foram afetados de forma brutal pela pandemia. “As pessoas estão entrando em desespero, porque ou vão ter que pagar os funcionários de forma integral ou demitir. Então pode haver uma demissão em massa. Ninguém conseguirá manter o salário do funcionário. Estão focando e quebrando os shoppings, porque não há critério. Não tem como dizer: ‘Foram 100 pessoas contaminadas dentro desse ou daquele shopping’, pontuou.

Por fim, Carolina criticou o critério para fechamento de determinados estabelecimentos. “O movimento estava reduzido. Poucas pessoas, num espaço gigantesco. Os shoppings são o problema? Não há critério para abrir este ou fechar aquele lugar. Entrar numa conveniência de posto de gasolina você pode, sem problemas, mas um shopping entregar, não pode. Restaurantes e mercados que são dentro de shoppings foram fechados, mas eles não podem trabalhar nem com as entregas? É um absurdo”, concluiu.

Sobre o fechamento dos shoppings, a Prefeitura de Curitiba enviou a seguinte nota:

“Conforme Decreto Estadual 4942/2020 os shoppings centers estão com funcionamento suspenso. Nesta segunda-feira (6/7) quatro shoppings da cidade estavam funcionando com atendimentos irregulares, nas modalidades delivery, drive-thru ou take away”.

Um processo administrativo sanitário foi instaurado para cada shopping e há previsão de multas para os estabelecimentos e lojas de até R$ 4 mil.

A Banda B tentou contato com as assessorias dos shoppings autuados. O Shopping Muller informou que a Vigilância Sanitária esteve no shopping e suspendeu todas as operações de delivery e drive thru. O Shopping Mueller e seus lojistas aguardam a revisão das orientações.